Disclaimer: As personagens e a história pertencem apenas e exclusivamente a Q. Spades e a Bxi (Fanfiction). Whatever


Capítulo 5: Mas que boa Vizinhança!

E lá estavam eles mais uma vez no rés-do-chão direito, para ser mais preciso na sala deste apartamento do prédio. Esta sala era a sala de reuniões dos condóminos.

Se este fosse um prédio normal e com um senhorio normal os dois apartamentos do resto chão eram também arrendados mas situação era de longe assim, aqueles dois andares eram na verdade a morada dele e isso teria lógica se ele realmente morasse ALI, o que não era o caso.

E lá estavam todos os moradores sentados em desconfortáveis cadeirinhas desdobráveis em frente ao senhorio, que se encontrava atrás de uma mesa de frente para eles.

No entanto tirando Rui e alguns caloiros ninguém estava a ligar um chavelho aquilo que ele estava a dizer:

A Cat estava a ler a crónica do Ricardo Araújo Pereira na Visão, o Zé revezava a sua vez de jogar Final Fantasy XIII na PSP com a Freddy e o Ricardo alternava em ver-se ao espelho e lançar olhares maliciosos aos caloiros. Sendo que as reacções delas era rirem como pitas e as deles... bem era nenhuma pois a maioria estava a cair de bêbado. E afastadas mais a um canto as duas velhas do 1º direito e 1º esquerdo, cada uma com a sua bengala (embora nenhuma coxeasse realmente) e a concordar com todas a regras que o senhorio impunha.

A Freddy levanta a cabeça e ergue o sobrolho ao reparar na cara confusa dos caloiros, que observavam os já ao ocupantes do prédio ignorar o senhorio.

E logo a sua mente cinematográfica começou a trabalhar...

De repente toda a cena pára e apenas a Freddy se levanta, com o seu cabelo apanhado num rabo-de-cavalo e um casaco preto que lhe ia até aos joelhos e botas de cano alto pretas.

Coloca-se á frente do senhorio.

- Olá o meu nome é Frederica Rossi e estou aqui para te explicar a ti caloiro, o porque é que ninguém está a ligar nenhuma às regras que o homenzinho aqui, impõe. A Saber:

- Em primeiro lugar porque NINGUÉM, e ponham ninguém nisso, (nem mesmo as velhas) as vai respeitar. – Enumerava a ruiva enquanto ao seu lado aparecia escrito o que ela dizia. – E porque o Sr. Azevedo não é propriamente a figura que inspira mais respeito.

E com isto desviou-se deixando assim a figura do senhor aparecer.

Pois bem vê-se então uma homem gordo e baixo, com os cabelos grisalho e uma careca mesmo no topo da nuca onde apenas três cabelos penteados minuciosamente para o lado. Os óculos grandes e redondos de ver cobriam grande parte da cara gorda e redonda com a barba mal feita e o palito na boca.

A camisa multicolorida entreaberta deixando uma de alças brancas ser vista por baixo, uma corrente grossa de ouro puro ao pescoço, uma calças castanhas e nos pés meias e sandálias.

Freddy volta aparecer á frente do senhorio e abana a cabeça num gesto reprovador.

- Como podem ver aquilo que eu dizia confirma-se. – Fez uma pausa onde mandou um olhar penetrante para a câmara. – Mas se ainda não estás convencido caloiro, vê o que a Catarina descobriu e a sua opinião em relação a este assunto.

E o plano mudou mostrando uma Catarina de face serena, as pernas cruzadas e a revista Visão sobre a perna.

O vestido bege elegante e os grandes sapatos de salto. Ao seu lado uma mesa com um bule e duas chávenas de chá fumegante.

- Bom dia caro caloiro, como a Frederica disse eu vou-te dar as informações que precisas saber sobre o nosso senhorio. – E ao seu lado aparece o seguinte texto enquanto a mesma bebia calmamente o seu chá.

Ficha Técnica: (Descobertas da Cat)

Nome: Celestino Azevedo;

Idade: 55 anos;

Pessoa em Si: Apesar de viver com a sua mãe a sua morada verdadeira é aqui no prédio, sofre de vários problemas o maior deles é relacionado com o coração, visto que não consegue arranjar uma namorada por mais do que o período de tempo de uma semana (Porque será?).

Tem mau feitio, complexos em relação à sua imagem e tem tendência para ser extremamente mandão e controlador.

- Bem na minha opinião profissional, não é necessário prestar atenção às regras do nosso senhorio pois é uma lista demasiado grande e que o Sr. Azevedo faz questão de afixar na entrada do prédio. – E com isto pousou a chávena na mesa. – E como dizia o Hermam José: "As opiniões são como as vaginas: cada mulher tem sua e quem quiser dá-la, dá-a". E com este pensamento termino aqui a minha dissertação.

E nisto voltou a ficar estática.

Frederica acordou da sua alucinação devido a Zé que a abanou e lhe disse que a reunião já tinha acabado. Suspirando e espreguiçando-se levantou-se enquanto procurava por Rui, Cat e Ricardo que iam já a escapulir-se para o apartamento até que o braço gordo do Sr. Celestino lhes impediu a passagem.

- Sr. Celestino! Que belo discurso! – Começou a Cat nervosamente enquanto o via-o lançar adagas com o olhar.

- Menina Catarina, chegou-me aos ouvidos que... uma galinha, esteve em vossa casa. Isto é verdade?! – Cuspiu o Sr. Celestino.

- É minha impressão ou está a chover? – Comentou o Ricardo que prontamente levou uma cotovelada de Catarina.

- Galinha? Oh por amor de Deus? Acha mesmo?! – Começou a Catarina e o resto do grupo começou todo a rir meio sem graça, excepto o Rui que apenas ficou a olhar, mas vendo o olhar que Cat lhe lançava rapidamente se começou a rir também.

- Desta vez podem ir. Mas não se atrevam a arrumar mais confusão, senão estão fora deste prédio! Entendido? – Perguntou o Sr. Celestino.

- Yes sir. – Os outros disseram sem grande convicção.

Mais tarde...

Infelizmente, as aulas tinham começado de novo, e Zé andava agora pelo pólo de engenharias, visto que o primeiro dia de aulas era um dos poucos onde ele realmente aparecia, excepto nas frequências e etc. Assim Zé continuava a andar calmamente e decidiu por bem ir tirar umas fotocópias pois, como de costume, bastava-lhe ler os livros um dia antes do exame e ficava a saber tudo aquilo que precisava.

Assim, dirigiu-se à papelaria. Lá encomendou as suas fotocópias e enquanto esperava pôs-se à conversa com um colega que rapidamente lhe encomendou umas 'ervas aromáticas' e começou a contar que vinha aí uma horda de caloiros dos infernos e que mal podia esperar pelas praxes. Zé assentiu fracamente com a cabeça, desde que houvesse erva para fumar o que é que importava? Assim despediu-se do rapaz e voltou-se para ver se as fotocópias estavam prontas, no entanto começou a ouvir um ruído muito estranho.

'Tum-tum, Tum-tum-tum...' Zé esbugalhou os olhos.

Aquela música era música do tubarão! A verdade é que o Zé sempre fora um grande seguidor desses filmes do Steven Spilberg e vira-os todos (do Tubarão I, II até ao infinitos...), e devido a isto, sempre que havia perigo o seu cérebro começava a tocar essa música em sinal de aviso. E pelo volume daquilo o perigo devia ser alto porque Zé estava quase a ficar surdo.

Rapidamente fez um scan ao local mas não encontrou nada. Esfregou a cabeça apreensivo, aquilo nunca lhe tinha falhado.

"Aqui tem as suas fotocópias." Uma voz feminina algo envelhecida disse-lhe e quando Zé se voltou para as receber Zé viu.

Viu... o perigo. Olhos brilhantes a observá-lo com desejo. 'Não pode ser...' Zé pensou em desespero. Mas era. D. Fernanda encontrava-se com os seus papéis na mão e a sorrir maquiavélicamente para ele. Zé pegou nos papéis e arrepiou-se. Desde quando é que aquela lunática ali trabalhava?! Rapidamente colocou o dinheiro no balcão e deu dois passos atrás.

- Pode ficar com o troco... – Disse e voltou-se para sair, mas foi impedido por uma mão que lhe apertava o pulso. Voltando-se para trás deu um grito histérico e agudo de garota. A velha tinha saltado do balcão e tinha-lhe apanhado o braço.

Todos na papelaria começaram a olhar para o par, mas ninguém pareceu ver que Zé estava a entrar em pânico.

'A velha não pode ter saltado do balcão! ISTO É UM MONSTRO! ' A mente de Zé pensava freneticamente. Mas Zé estava congelado. 'RUN, FOREST, RUN! RUN YOU SON OF A BITCH!' Zé finalmente percebeu o que a sua mente queria e começou a correr com D. Fernanda no seu encalço. De repente, e não se sabe bem a música da Aretha Franklin, Respect começou a tocar enquanto D. Fernanda corria atrás do rapaz que dava gritinhos de garota. O pior de tudo: a D. Fernanda começou a cantar.

- Zézinho, dá-me uma oportunidade! – D. Fernanda pedia enquanto o Zé só pensava em como é que era possível que a velha corresse tanto.

Por fim o pior chegou. Zé viu-se num beco sem saída.

- R-E-S-P-E-C-T , know what that means to me! – A D. Fernanda disse apontando um dedo a Zé, que apenas olhou para ela de olhos esbugalhados. 'Bacano, eu desisto, vamos morrer aqui.' A mente de Zé comentou até que de repente veio alguém e fez uma placagem a D. Fernanda caindo os dois no chão.

Ricardo levantou-se e ajeitou as roupas. – Eu sou o único que pode perseguir o Zé. Meta isso na cabeça mulher.

Pela primeira vez em muitos anos Zé sentiu-se feliz em ter Ricardo como amigo. Os dois desataram a correr outra vez, e enfiaram-se no carro.

- Zé, espero que saibas que vais ter de me pagar com favores sexuais este grande favor que te fiz. – Ricardo comentou secamente até que de repente olhou pelo retrovisor e esbugalhou os olhos. Atrás deles, e parecendo mais perigosa que nunca, estava a D. Fernanda a persegui-los com o seu Jipe enorme. Ricardo engoliu em seco. – Estamos fodidos. – Disse finalmente e meteu o pé no acelerador fazendo com que Zé saltasse do banco.

- Nós temos de chegar a casa der por onde dê. – Ricardo comentou enquanto olhava para trás para ver se a lunática os continuava a perseguir. Zé por seu lado estava a tentar fazer uma ganza em andamento para acalmar os nervos mas não estava a ter muito sucesso, devendo-se principalmente à música do 'Tubarão' que continuava a tocar incessantemente na sua cabeça. – O que é que tu pensas que estás a fazer Zé?! – Perguntou Ricardo exaltado.

- O que é que te parece? – Zé perguntou cepticamente. – Preciso de fumar e com urgência.

Ricardo abanou a cabeça em desânimo e fez um corte brusco à direita fazendo com que as coisas de Zé caíssem todas para o chão do carro. Este prontamente se baixou para as apanhar.

- O que é que pensas que estás a fazer Zé? – Perguntou Ricardo enquanto tentava desviar o pé de Zé que de momento se encontrava perigosamente perto da sua cara.

Por fim, lá conseguiram chegar ao parque de estacionamento do prédio. Saindo desajeitadamente, subiram as escadas duas a duas, no entanto, não repararam que tinham passado pelo Sr. Celestino, em claro limite de velocidade.

Este, que se encontrava a afixar as novas regras, umas delas sendo 'Não correr nos corredores.' Ficou vermelho de raiva, no entanto, e para sua grande surpresa, um Sra. já de sua idade, acabou por passar por si também ela ultrapassando claramente o limite de velocidade estabelecido.

O Sr. Celestino cheirou o ar, e claramente lhe veio o aroma de perfume às narinas (de marca francesa, claro) e o Sr. Celestino pensou, aquilo devia ser amor. Assim decidiu perseguir a Sra. do perfume.

Zé e Ricardo por seu lado começaram a bater à porta do seu apartamento desesperadamente, até que Cat lhes abriu a porta.

- Vocês sabem que têm a chave, certo? – Perguntou de sobrolho erguido. Mas os outros dois apenas correram para dentro do apartamento enquanto lhe imploravam que fechasse a porta. Catarina assim o fez.

Por fim, o grupo estava todo reunido na sala de estar e Zé passou a explicar a história toda em detalhe aos colegas, apenas ocultando a parte da música do tubarão.

- Mas espera aí, de onde é que começou a tocar a música da Aretha Franklin? - Rui perguntou aparvalhadamente enquanto amarrotava as roupas nervoso por ter uma velha maluca à solta do outro lado da porta.

- O que é que importa Rui?! O Zé está em perigo de vida! – Disse Freddy levantando-se. – Acho que tens razão Rui, as velhas obcecadas são realmente muito perigosas...

Catarina por outro lado encontrava-se a andar de um lado para o outro da sala observando atentamente os dois indivíduos que estavam a ser perseguidos pelo canto do olho.

- Pessoal, eu acho que vocês ainda não perceberam que a situação é mais grave do que nós pensávamos. Nós tomámos uma posição e por isso, agora a D. Fernanda também tomou uma. – Comentou sabiamente.

Ricardo ergue o sobrolho. – Que raio de posição que nós tomámos?! – Este perguntou.

Cat apontou para a cortina de penas. – Ao comprarmos esta cortina entrámos em guerra com a D. Fernanda. Tapámos o Zé, e como é óbvio ela teve de arranjar outra maneira de o ver.

Todos assentiram estupidamente.

- Zézinho! Vem cá fora! Precisamos de conversar! – Ouviu-se uma voz do outro lado da porta e Rui imediatamente escondeu-se atrás do sofá.

- A velha louca está do outro lado da porta... – Freddy murmurou preocupada.

- Eu sabia! Está a usar a estratégia de cerco, utilizada antigamente, onde se cercavam as cidades e estas rendiam-se quando não havia mais mantimentos e água! – Catarina disse levantando um dedo no ar.

- Eu não vou a lado nenhum Zé. – A voz de D. Fernanda ressoou provando que Cat tinha razão.

- Okay, como é que evitamos que a estratégia dela tenha sucesso? – Ricardo perguntou, olhando para Zé que tinha Capitão Cassete no colo e fumava uma ganza.

- Simples. - Disse Cat dando largas passadas para a porta. – Entramos em conflito aberto. – E nisto abriu a porta permitindo que D. Fernanda entrasse para dentro do apartamento.

Esta entrou, com os olhos fixos em Zé e Capitão Cassete assanhou-se.

- Ora muito bem D. Fernanda. O que possa fazer por si? – Perguntou Catarina corajosamente enquanto Rui a observava extasiado tal qual pastorinho a ver a Nossa Sra. pela primeira vez.

- Isto é muito simples. Eu quero o Zé. – A D. Fernanda disse enquanto se abanava. – Bolas, afinal os treinos sempre têm dado resultado... – Murmurou.

- O problema é que o Zé não gosta de si, nem quer nada consigo. Não é Zé? – Ricardo disse levantando-se.

- Sóóh... – Este disse e Freddy assentiu para dar ênfase.

- Ouve lá, meu menino. Tu pensas que eu ainda não te topei? Pois bem eu sei! Sim eu sei, que tu dás para ambos os lados e que também queres o Zé! – D. Fernanda acusou. – Mas eu é que vou ficar com ele...

Freddy olhou preocupadamente para Cat, não estava a gostar nada do rumo das coisas mas a amiga parecia estranhamente calma.

- Você? Você tem idade é para estar a fazer tricô com as suas amigas. Tenha algum pingo de decência e deixe de andar atrás de garotos que têm idade para ser seus filhos. – Ricardo ripostou. D. Fernanda grunhiu. Sim, como um ANIMAL SELVAGEM.

De repente e para ajudar à festa a porta do apartamento abriu-se aparecendo o Sr. Celestino.

- Ah! Descobri! Raptaram esta pobre Sra. não foi seus malandros? – Este perguntou enquanto se colocava em frente de D. Fernanda tentando ser o herói do dia.

Catarina rolou os olhos.

- A D. Fernanda está aqui por sua livre vontade. – Freddy disse. – Já por nossa... – Murmurou.

D. Fernanda assentiu.

- Okay já chega. Eis o que eu proponho! Vamos fazer um concurso, para ver quem fica com o Zé! – Zé olhou para Cat como se esta fosse maluca. D. Fernanda pareceu gostar da ideia e Ricardo sorriu maliciosamente.

Já o Sr. Celestino ficou desfeito pois a mulher da sua vida parecia estar interessada no maconheiro residente do 4º andar.

- E mais, eu proponho um concurso de dança. – Catarina continuou e o sorriso de Ricardo e D. Fernanda alargou-se. – No entanto precisaremos de espaço... – Comentou olhando para o Sr. Celestino. – Podíamos utilizar a sala de reuniões, basta desviar as mesas... – Continuou.

A D. Fernanda entendeu perfeitamente. – Sr. Celestino, por favor. Seria de grande delicadeza. – Disse suavemente e Celestino não pôde fazer nada senão assentir qual cão amestrado.

Catarina deu uma gargalhada maquiavélica mentalmente. 'Let the show begin...'

- Eu gostava realmente muito de participar. - Disse com ironia Frederica. – Mas não posso, hoje vou ver o meu avô! – E dito isto saiu porta fora.

Já os restantes marcharam escadas abaixo até á sala de reuniões, afinal era preciso arrumar o estaminé, e assim o fizeram:

A Cat a comandar as tropas, (ou seja sentada a dar ordens) e todos os ocupantes do prédio a arrumar a sala de reuniões.

Ainda mais tarde...

Frederica e o seu avô Valentino Rossi, um senhor de idade mas um espírito jovem e energético, sempre acompanhado da sua bengala com pega de ouro e madeira de cerejeira, uma raridade.

Eles vinham os dois a entrar no prédio quando ouviram a música alta e som de pessoas a aplaudir, Freddy levantou o sobrolho, afinal o tal concurso psicótico de dança pelo a honra e coração do Zé não se devia arrastar até estás horas.

- Oh bella não sabia que hoje havia festa por aqui! – Comentou alegremente o avô.

- Parece que há nonno, vamos até lá! - Sorriu a outra.

Era incrível a adoração que Freddy tinha pelo avô, amava-o incondicionalmente, muitas vezes sentia a sua falta quando ficava por casa acordada sozinha.

E então entram os dois pelo resto chão, mas Freddy nem sequer reconheceu o lugar. Havia luzes espalhadas por todo o local, uma bola de espelhos e fumo? Tinham uma máquina de fumo? Ou não...

Ela olhou melhor e reparou que alguns amigos do Zé Carlos de aspecto duvidoso que se encontravam num canto a fumar "Sim claro para quê alugar uma máquina dessas quando temos pessoas que fazem isso por elas..." pensou.

Não havia mesas a não ser uma onde se encontravam o Sr. Celestino, o próprio Zé e o Rui.

Ela foi até á Catarina que se encontrava como Dj a dar som aquela malta toda. – Hmm, Cat o que é que aqui se passa? Isto não devia já ter acabado? – Observou um conjunto de caloiros bastante alcoolizados.

- Bem tu nem sabes o que se passou, um monte de gente entrou na battle! – Cat sorriu maléficamente para a sua querida amiga. – Tu é que podias ir dançar, afinal já foste bailarina.

- Eu...?! - Mas a mesma não pode continuar pois o seu querido avô entrou na conversa.

- Oh bambina como estás? – Perguntou a Cat que sorriu para Valentino e o abraçou ternamente o velho, ela gostava imenso de Valentino e dos seu cozinhados. – E tu ragazza devias ir, tu darias uma excelente bailarina se não tivesses desistido! – Comentou, firme o velho.

E Freddy podia dizer que não ao avô? Não, infelizmente não podia!

Por isso Catarina nem esperou a resposta da sua melhor amiga e apenas sorriu num gesto vitorioso.

- Mas vais depois porque agora é o grande momento. – Disse excitadíssima. De repente a voz de Cat surgiu por todo o ambiente extremamente radiofónica. - Como é pessoal estão a curtir? – Ouviu-se imediatamente uma ovação por parte do selecto grupo (drogados, bêbados e velhas)... – Então o grande momento que todos aguardavam: Ricardo vs D. Fernanda vs Freddy.

O Ricardo começou a gargalhar descontroladamente - O quê? A Freddy, isto vai ser lindo, vai! – E afastou-se da pista onde apareceu um holofote vermelho com a D. Fernanda vestida a rigor para um sensual tango argentino (O_o).

O vestido sensual e vermelho, aberto numa perna onde se podia ver as ligas de rede e a rosa vermelha na boca. Antes de a música começar a tocar, eis que D. Fernanda lança um olhar que ela achou sensual ao Zé.

O mesmo arrepiou-se e encolheu-se ainda mais na cadeira, quando a mesma se aproximou da mesa dos jurados. Mas na vez de agarrar o Zé, agarrou foi o Celestino.

Mas visto que ele era consideravelmente mais baixo que a velha tarada, Dona Fernanda esborrachou a cara dele contra o peito dela. A música das Pussycat Dolls, Sway começou a tocar.

D. Fernanda avançava para a frente e para trás com o Celestino nos braços, parecia deveras uma profissional das danças de salão, ela esticava a perna e o Celestino lá tentava aguentar com o peso.

Movimentava a anca dentro do ritmo e tudo parecia correr bem a Fernanda, se não fosse mais para o final da actuação ela lembra-se de ganhar balanço e saltar para o colo do Celestino, mas o pobre coitado lá foi tanto o impulso e o peso que caiu redondo no chão com a Fernanda em cima.

Mas foram-lhe dados pontos na fantástica recuperação, pois agarrou o Celestino pelos colarinhos e pô-lo de pé, terminando em alto estilo.

- Bem agora é a vez do nosso Ricardo Reis! – A voz radiofónica de Cat soou novamente no espaço.

E assim surge um Ricardo num facto completo, todo preto e uma luva na mão direita. Parou numa posição familiar a Freddy e a Música da Beyoncé, o grande hit Single Ladies começou a tocar.

E Ricardo começa a imitar completamente a Beyoncé até ao mais ínfimo pormenor. Mas na mais completa perfeição. Aproximava-se do júri e afastava-se, fazia todas as voltavas e abanava as ancas tal e qual a cantora.

Toda a gente conhecia o vídeo clip e estavam todos pasmados a olhar para os movimentos do moreno. Levando as caloiras ao auge da excitação.

E assim terminou ele a sua bela apresentação, mandando beijinhos a todos que o aplaudiam.

- E agora a ruiva aqui do sitio vai 'arrebentar', Freddy! – A ruiva que vestia uma camisola grande e larga, uns leggins e as suas sapatilhas pastry avançou para a pista de dança.

A musica FloRinda Right Round invade o local e Freddy começa a dar aqueles passos de hip-hop que parece um robô, passando a segui para um coreografia onde coordenava as pernas e os pés.

Na parte do refrão deitou-se no chão e fez uns moves de break dance, levantando-se para correr subir na mesa dos jurados e fazer um mortal para trás.

E voltou a fazer aqueles passos de hip-hop bem fixes e movia as ancas de forma feminina acabando o espectáculo com as mãos no chão e com as pernas levantadas a descair para um lado.

Por fim, acabou a actuação e todo o público se levantou para bater palmas. Cat, ao ver isto sorriu ainda mais maquiavélicamente e pegando no microfone foi até ao centro da pista onde com um olhar mortífero calou toda a gente.

- Ora pois muito bem! Hoje vimos aqui imensos talentos, e aposto que se estivesse aqui o Manzarra, teríamos aqui e agora um "Achas que Sabes Dançar?" 2. – A referência a tal personagem deu origem a alguns assobios. – No entanto, está na hora de anunciarmos o grande vencedor da batalha a 3 D. Fernanda vs Ricardo vs Frederica! E o prémio é: a honra e o coração do nosso amigo Zé Carlos! – Nesse momento todos os maconheiros assobiaram e Zé coçou a cabeça embaraçado, às vezes ainda se perguntava porque é que alinhava neste tipo de coisas. – Muito bem, júri, por favor faça favor de levantar a pontuação para a D. Fernanda.

Primeiro veio a vez do Rui, este olhou para Cat que lhe deu um olhar neutro e em seguida para D. Fernanda que lhe deu um ar tão assustador que o rapaz se ia mijando. Por outro lado, tinha o seu amigo Zé Carlos e não queria que ele ficasse escravo daquela velha tarada. Transpirando que nem um cavalo o Rui levantou uma placa com o número 7. A D. Fernanda grunhiu irritada.

Em seguida foi a vez do Sr. Celestino, que como não queria que a D. Fernanda ficasse com o outro rapaz acabou por levantar também um 7. Por fim foi a vez do Zé Carlos, que não se sabe bem como arranjou uma placa com o número -1 e levantou-a no ar. Todos aplaudiram.

Por fim, foi a vez de Ricardo, que recebeu três sets de oitos, este estalou a língua e abanou a cabeça, dizendo que ninguém entendia o seu génio artístico. Por fim, e chegada a vez da italiana. O Sr. Valentino fez uma pequena sessão de break dance utilizando a sua bengala que deu origem a vários aplausos. Enquanto o Sr. Valentino distraía o público com os seus dotes artísticos. Catarina aproveitou para olhar para o júri com uma cara de demónio tal que Rui se escondeu atrás da mesa tremendo que nem varas verdes e Zé depois de a ouvir estalar os dedos deixou cair a ganza que trazia na boca.

Pelos vistos, Freddy acabou por pontuar 10-10 e 10000 cortesia do Rui que com medo da ira de Cat fez uma placa à pressa.

- Bom meus caros colegas e vizinhos. – Disse Cat outra vez sorridente na sua voz mais radiofónica. – É o fim do concurso de dança do prédio, e parece que o Zé, está livre pois Freddy recusou ficar com o seu coração e disse que Zé não tinha nenhuma honra portanto também não podia ficar com ela. Vemo-nos para a próxima.

E por fim o pano caiu. Apenas para se voltar a colocar mais música, claro. Os caloiros embebedaram-se, os maconheiros drogaram-se e Zé sorriu que nem um idiota porque estava livre outra vez.

Rui até tinha tido direito a um abraço de Cat, mas Freddy sabia, Valentino sabia e o MUNDO sabia...

Que D. Fernanda, atacaria outra vez.


Done. Dois num dia só é muito (: