Passando tempo com R

R insistiu muito para que eu fosse ao churrasco, e eu queria muito ir, então eu fui. O pai do nosso amigo (aquele que deixou que nos pegássemos na cama de seu irmão), que é muito fofo e me ama, disse que me buscaria em casa. E assim ele o fez.

Foi engraçado ver R de novo, e um pouco desconfortável também. Eu mal consegui olhar pra ele quando cheguei ao local do churrasco, e ele parecia estar sentindo a mesma coisa (ao menos ele não falou direito comigo).

Andamos até a parte da churrasqueira resmungando sobre o calor e sobre a quantidade de pessoas que haviam no local (achávamos que seria um churrasco "só para amigos", mas terminou sendo num clube aberto ao público que estava super lotado). Já sentados na mesa, eu dei peteleco em formigas que caíam das árvores acima de nós.

O ambiente estava desagradável, o calor estava insuportável e a comida não vinha. R fazia carinho na minha mão, puxava papo aqui, afagava meu rosto ali - já tínhamos voltado ao modo casal. O amigo que estava sentado com a gente nos olhava sem entender se estávamos ficando ou seéramos apenas carinhosos um com o outro.

Depois de algum tempo, a comida finalmente ficou pronta, e R pegou para mim. Uma hora ou outra sua mão acariciava de leve minha coxa por debaixo da mesa. Uma hora ele estava fazendo isso com a cabeça abaixada, e eu acariciei seu cabelo. O tal amigo falava com a gente, mas estávamos completamente distraídos um com o outro. R levantou a cabeça e disse "O quê? Desculpa, tava prestando atenção em outra coisa" e sorriu pra mim.

Fofo para mim, mas não para nosso amigo. Ele não parecia puto, mas definitivamente não estava gostando muito de estar de vela. Mais tarde dois amigos nossos (o dono da casal na qual eu e R nos beijamos e o anfitrião do churrasco) vieram se sentar com a gente, o que deve tê-lo deixado mais feliz.

Papo aqui e papo lá, o churrasco estava uma droga. Ninguém além de R disse isso em voz alta, mas tenho certeza que todos sentiam o mesmo. O lugar estava um tédio total, e as formigas continuavam caindo em nossas cabeças. Quando R tentou reclamar para o anfitrião, ele o mandou ir se foder.

Conforme o tédio continuava, o anfitrião e nossos dois amigos foram embora, deixando eu e R com um amigo que havia acabado de chegar (o que havia roubado um beijo meu no outro dia). Tomamos sorvete, conversamos sobre o nada e reclamamos mais ainda sobre como tudo aquilo estava um saco. Nós três estávamos irritados e não havia clima para eu e R nos beijarmos. Ele havia me abraçado por trás algumas vezes e beijado meu ombro, o que havia sido super fofo, mas no geral estávamos nos encarando com cara de cu, suados e irritados por causa do tédio.

Eu, desejando salvar o dia, resolvi que pediria a chave da casa do anfitrião para que ficássemos lá. Ele havia dito que não poderíamos ligar o ar-condicionado da última vez que havíamos ido lá no mesmo dia (alguns minutos antes, para esperar o amigo ladrão de beijos), e eu não estava animada para ver o seu cachorro (que havia mordido meu dedo mindinho e depois tentado transar com minha perna), mas queria beijar R, então peguei a chave.

Quando subimos havia gente dentro da casa, e eu fiquei com vergonha de bater, assim como meus amigos - nesse ponto o amigo vela e o amigo doador de casa para pegação já estavam com a gente, e apenas o anfitrião continuou a jogar bola -, então terminamos sentando na escada. R estirou-se nos degraus e continuamos a reclamar do calor. Ele havia me dito que odiava que mexessem no seu cabelo, então estava tentando deixar essa mania de lado (eu vivia mexendo no cabelo dele).

Enfim, o dia estava uma merda. Estava me sentindo um incômodo para R porque ele estava estressado com o calor (e ele disse "Se você continuar fazendo isso, vou ficar puto de verdade" quando eu fiz alguma brincadeira sobre a cara de raiva dele), mas ainda queria muito beijá-lo e voltar a ver a parte dele que eu gostava tanto.

Mais tarde a irmã do anfitrião nos chamou para entrar e vermos TV (estava passando Star Wars). Os meninos ficaram obcecados assistindo, e eu, que não entendia porra nenhuma por não ter visto os outros filmes (desculpa, mundo), acabei deitando na rede. R veio para o meu lado um pouco depois, e demos alguns selinhos.

Os selinhos devem ter iluminado minha mente, porque logo depois eu surgi com uma ideia: E se fôssemos para a casa do amigo doador de casa para pegação? Todos gostaram da ideia (exceto pelo amigo roubador de beijos, que não poderia ir com a gente) e ligamos para o pai de meu amigo para pedirmos que ele viesse nos pegar.

Algum tempo depois, após nos despedirmos do anfitrião e eu colocar gelo na testa do meu amigo doador de casa para pegação (que havia se machucado jogando futebol), já estávamos no carro. Fui na frente por ser a mais gordinha do grupo (todos os meus amigos são magricelos) e rimos bastante o caminho inteiro.

O dia até então horrível estava lentamente ficando mais divertido, e essa certeza se confirmou quando olhei para R pelo retrovisor e ele me deu um de seus sorrisos cheios de dobrinhas.