Título: Doce Tentação

Autoria: Dream-Devil

Género: Romance e Drama. Contém Slash/Yaoi, relação entre rapazes/homens, caso não goste, não leia.

Capítulos: 37

Sumário: Slash. Will começa uma nova vida, trabalhando na pastelaria da sua prima. Lá, conhece Edison e os dois tornam-se próximos rapidamente. Edison apaixona-se por Will à primeira vista, mas o regresso de Sam, o ex-namorado de Will, faz com que se crie um triângulo amoroso. Uma história com romance e drama, onde os sentimentos nem sempre são tão claros como parecem.

Doce Tentação

Capítulo 1: Nova Vida

Passava pouco das oito e meia da noite. O céu tinha-se já tornado escuro e as nuvens negras no céu moviam-se lentamente, por vezes tapando a lua. O bairro não tinha o melhor aspeto, não de dia e pior ainda à noite. Numa esquina, quatro jovens estavam juntas, conversando. Uma delas tinha um cigarro entre os lábios, dando passas de forma segura, enquanto ia falando. As roupas de todas elas eram curtas, deixando revelar pernas longas e seios fartos. Quem por ali passasse, saberia exatamente o que eram, prostitutas, à espera de clientes.

Um pouco mais à frente, num beco, havia um homem com longo cabelo e barba. As suas roupas eram esfarrapadas. De dia, colocava uma tabuleta feita de cartão, pedindo esmola. Agora, enrolara-se debaixo de caixas de cartão, para tentar dormir. Ali, não o incomodariam, porque sabiam que não tinha nada que lhe pudessem roubar. Num dos apartamentos, num prédio próximo, um casal discutia violentamente, enquanto no apartamento do lado um homem cortava drogas, colocando-as em pequenos sacos, para vender.

Era aquele o bairro onde Will Salvatore vivia. Pelo menos, até àquele dia. Vivia num apartamento muito apertado e malcheiroso, no quatro andar de um dos prédios decrépitos daquele bairro. Era suposto pagar a sua renda a tempo e horas, mas não o fizera. Tinham-no avisado uma, duas vezes. A terceira fora ser despejado de imediato e ameaçado fisicamente se não deixasse o apartamento. Noutras circunstâncias, Will até estaria disposto a enfrentar fosse quem fosse, mas tendo aparecido quatro homens, desistira, ao perceber que não tinha a mínima hipótese.

E portanto, colocara apressadamente numa mala o que pudera e deixara o apartamento, sob o olhar dos homens. Sentado nos degraus de um prédio, Will não sabia bem o que fazer da sua vida, daí para a frente. Tivera um emprego e perdera-o, porque não se soubera comportar. O cliente que atendera fora rude e Will fora rude de volta, o que gerara uma queixa. Então, quando acontecera uma segunda vez, perdera mesmo o emprego. E depois, não tinha conseguido arranjar outro e não tinha dinheiro para pagar a renda. Mal tinha dinheiro para comer.

- Então, querido, queres ir dar uma voltinha? – perguntou uma mulher de alguma idade. Will olhou-a. Era mais uma prostituta, mas que já passara dos quarenta anos. O top que trazia vestido revelava mais do que devia. – Não? Posso fazer-te um desconto.

- Não tenho interesse e não tenho dinheiro, portanto deixe-me em paz – disse Will, quase num rosnado.

A prostituta afastou-se, torcendo o nariz e bamboleando-se. Will suspirou. Tinha vinte e três anos. Era alto e achava que estava mais ou menos em forma. Já há algum tempo que não exercitava, como gostaria, apesar de gostar de desporto. O seu cabelo era preto, como os corvos e os seus olhos eram castanhos escuros e profundos. No exterior, ninguém o acharia realmente vulnerável. Era duro e sabia cuidar de si, na maior parte do tempo. Não se deixava levar por conversas emocionais e tinha resposta rápida para tudo, o que não o fazia ser muito popular. Uma mulher avançou pela rua, de forma algo incerta, olhando à sua volta, observando tudo e não gostando do que via.

Engoliu em seco algumas vezes, agarrando a sua mala, que tinha pendurada no ombro, com receio que alguém lha roubasse. Então, avistou Will e o seu rosto perdeu alguma da ansiedade que mostrava. Não que se visse muito bem, porque a rua era, no geral, escura, visto muitos dos candeeiros de iluminação pública terem lâmpadas fundidas. A mulher aproximou-se dos degraus e parou. Will levantou os olhos e viu-a. O seu corpo ficou algo hirto, mas ele manteve-se calado.

- Então, é agora que vais aceitar a minha ajuda? – perguntou a mulher, num tom um pouco impaciente.

- Rachel, deixa-me em paz.

- Não, não deixo. És meu primo e fiquei a saber que ficaste sem lugar para morar. Parece-te que te quero ver a viver nas ruas ou debaixo da ponte? – perguntou Rachel Salvatore. Tinha trinta e dois anos, cabelo castanho pelos ombros, muito bem penteado e olhos cinzentos. O vestido que usava era amarelo, com decorações brancas e já se arrependera de não ter vestido algo mais simples e escuro, para não chamar muito as atenções. – Anda comigo, podes ficar no meu apartamento.

- Não precisei de ti, nem da tua caridade até agora, portanto vou conseguir desenvencilhar-me disto. Consigo sempre, a bem ou a mal.

- És tão teimoso. Deve ser de família – disse Rachel. Começou a subir os degraus e depois parou, junto de Will. Hesitou, olhou para o degrau, que não estava muito limpo, mas resolvendo que tinha de deixar isso de lado, sentou-se ao lado do primo. – Eu sei que não te apoiei quando mais precisavas, no passado, mas agora estou aqui. Não é vergonha nenhuma aceitar-se ajuda da família.

- O problema é que há três anos, quando precisei, ninguém se lembrou de realmente me ajudar, como se fosse culpa minha o que aconteceu.

- Tens razão. Foi uma decisão má afastar-te, quando não tinhas realmente culpa. Demorei a entender o quão injusto fora. Mas compreendi e já te pedi desculpa. Ouve, parece-te que eu viria até aqui, se não quisesse realmente ajudar-te? Esta zona da cidade é… nem sei como a descrever – disse Rachel. Na rua, dois homens, claramente bêbados, avançavam, apoiando-se um no outro. – Tens de sair daqui, ainda para mais agora que não tens emprego, nem onde ficar. E sim, paguei a uma pessoa para estar de olho em ti e já fiquei a saber de tudo. Vem viver comigo.

- Não quero a tua caridade.

- E se te disser que não é caridade? Vens viver comigo e em troca, vais trabalhar na minha pastelaria. Preciso de uma pessoa e tu serias perfeito para isso – disse Rachel. Estava a mentir, no sentido de que duvidava que o primo fosse realmente perfeito a lidar com clientes, mas podia aprender. Queria realmente ajudá-lo. – O que me dizes?

- Então, queres que trabalhe para poder viver no teu apartamento? – perguntou Will. Talvez outras pessoas se sentissem ofendidas e dissessem que família devia ajudar família, sem pedir nada em troca. Mas no caso de Will, que era orgulhoso, isso mudava as coisas, pois já não seria caridade. – Eu nunca trabalhei com nada a ver com comida.

- Ainda assim, podes aprender e eu estou confiante que aprenderás depressa. O negócio tem estado a correr bem, felizmente. Fazemos bolos muito bons mesmo, vais ver. E pelo que sei, se não tiveres mudado nos últimos anos, tu adoras doces.

Era uma verdade indiscutível. Por mais que pudesse ser frio com as pessoas ou ríspido e pudessem associar que ele só gostaria de coisas ácidas, como limão, Will adorava doces. Bolos, bolachas, chocolate, era doido por eles. Nos últimos tempos, não tivera possibilidades de comprar nada disso. Pensou na pastelaria da prima, onde só fora duas ou três vezes, no passado. A pastelaria, cheia de doces. E ele ali, a trabalhar.

- Vou ter algum desconto na compra dos bolos e afins? – perguntou Will. – Isto é, se tiver algum ordenado.

- Terás um ordenado, mas não é muito alto, infelizmente. Mas considerando que te vou dar um local onde viver, parece-me justo. E sim, faço-te desconto nos bolos. Pensa assim, vais poder comer imensos! Não passarás fome, terás onde viver, terás um propósito. Diz que sim, que aceitas o que te proponho.

Will não respondeu logo. Olhou à sua volta. Vivera naquele bairro durante algum tempo, apesar de nunca ter gostado. Ali tudo era sujo e cheirava a mijo, tanto humano, como de gato. Rachel estava a oferecer-lhe algo muito bom, uma forma de dar a volta à sua vida. Conseguiu ouvir uma pessoa a gritar, num apartamento qualquer e pouco depois, os dois homens bêbados, que já iam quase ao fundo da rua, começaram a brigar um com o outro. Rachel vivia numa parte boa da cidade. Não teria de lidar com coisas que tinha de lidar no bairro.

- Está bem, aceito a tua proposta – acabou ele por dizer. Os dois levantaram-se e começaram a afastar-se, perdendo a cena de uma velhota que foi ameaçada com uma faca e cuja mala lhe foi roubada de seguida.

Doce Tentação

A pastelaria Sweet Surprise não ficava muito longe do centro da cidade, num bairro calmo, onde havia outros tipos de lojas. A pastelaria tinha vinte e nove anos e na sua fachada havia um placar com o nome, em tons de branco e amarelo. O interior tinha sido renovado há pouco tempo. Havia várias pequenas mesas quadradas, com cadeiras de tom creme. Um grande balcão ao fundo mostrava os produtos para venda. A pastelaria tinha fabrico próprio e produzia todo o tipo de bolos, desde arrufadas, bolas de Berlim, bolos de arroz, mil folhas, palmieres recheados, vários tipos de pasteis, entre outros.

O local era razoavelmente popular. Muitos clientes pediam um café e um bolo ou um chá e um bolo. Também vendiam pão, apesar de não o produzirem na pastelaria. Mas o produto que era mais popular, eram os bolos grandes, com vários ingredientes e diversos tipos de coberturas, recheios, formas e feitios. Vendiam os bolos para fora ou à fatia e desde que tinham a trabalhar lá o pasteleiro atual, parecia que os clientes apreciavam mais e mais os bolos. Rachel estava satisfeita com o rumo que as coisas estavam a tomar.

O seu pai falecera no ano anterior. Fora ele o fundador da pastelaria e durante muito tempo, fora ele que estivera à frente de tudo. Rachel começara a ajudar na gerência, pouco antes de o pai falecer. O que não aprendera, tivera de aprender depois, para não deixar o negócio resvalar. Ainda assim, o pasteleiro que tratava da maior parte dos bolos tinha-se despedido e Rachel ficara numa posição difícil. Felizmente, encontrara uma solução, arriscando e compensara.

- Will, ajeita o cabelo, por favor – disse Rachel, de pé, junto da entrada da pastelaria. Will, ao seu lado, vestia uma camisa escura e calças de ganga. Tinha pouca roupa que pudesse usar. O seu cabelo estava algo desgrenhado. Ele passou as mãos por ele, para o tentar domar. – Assim está melhor. Pronto, vamos entrar no teu novo local de trabalho.

- Não é como se eu nunca tivesse aqui vindo – disse Will, de braços cruzados.

Já tinha ido à pastelaria antes, mas só duas ou três vezes, na sua vida. Não era o tipo de local que ele e a família frequentassem. Os pais sempre tinham preferido um bar a uma pastelaria de aspeto requintado. Will suspirou. Dormira bem, na cama do quarto de hóspedes de Rachel. E agora, era de dia e iria começar a trabalhar. Achou que a prima lhe podia ter dado mais um dia para relaxar, mas não, ela queria que ele começasse a trabalhar de imediato.

Will olhou pela rua, à sua volta. Ali o trânsito fluía bem, não haviam sem-abrigos, não havia mau cheiro na rua, nem pessoas de aspeto duvidoso. Uma mulher passeava um cão minúsculo, com uma trela dourada. Uma jovem com um carrinho de bebé estava parada à frente da montra de uma loja de roupa. Um homem de fato completo, com uma pasta na mão, caminhava de forma descontraída. Quase parecia outro mundo, diferente da realidade que Will conhecia.

Talvez gostasse de viver ali, pensou Will. Rachel tinha um apartamento, por cima da pastelaria. Não era muito grande, mas era confortável e dava bem para ela viver, mesmo que agora Will também lá vivesse. Na noite anterior, Rachel indicara ao primo algumas regras que ele tinha de seguir. Ele já se esquecera de metade, mas ficara-lhe na mente que tinha de se comportar, caso contrário a prima podia mandá-lo embora e depois não teria para onde ir.

- Renovei um pouco a decoração. Mandei pintar as paredes em tom creme, troquei as cadeiras por algumas mais confortáveis e o balcão agora é mais visível – disse Rachel, enquanto entravam na pastelaria. Passavam poucos minutos das nove da manhã. Havia uma mulher a um canto, bebendo um chá e comendo um bolo, um homem ao balcão e um casal, falando numa mesa. – Eu também ajudo na pastelaria. Tu e eu faremos horários rotativos, mas abrimos a partir das oito. Connosco, vamos ter o Remington, que já está a trabalhar aqui há cinco anos.

Remington Rose estava de pé, atrás do balcão. Era um homem bastante alto, com cabelo castanho, que quase lhe chegava aos ombros. Tinha trinta e oito anos e fora o pai de Rachel que o contratara, para trabalhar na pastelaria. Sabia muito do negócio, conhecia os clientes habituais e sabia o que queriam. Gostava do que fazia. Cumprimentou Will com um aperto de mão, quando ele lhe foi apresentado. Depois do outro empregado ir embora, tinham sido só ele e Rachel a trabalhar ao balcão, o que não era fácil.

- Tens alguma experiência a trabalhar numa pastelaria, café ou algo do género? – perguntou Remington, olhando Will.

- Não, nenhuma – respondeu Will. Ainda se candidatara a um emprego num café, no passado, mas acabara por não ser escolhido.

- Mas estás disposto a aprender – disse Rachel, olhando para o primo, que algo a contragosto acenou afirmativamente com a cabeça. – Remington, o Will vai precisar de ser ensinado, portanto conto contigo para o ajudares. E conto contigo para seres firme com ele, senão ele é capaz de abusar.

- Ei! – exclamou Will, lançando um olhar aborrecido à prima. – O que é que queres dizer com isso?

- O que quero dizer é que vens para aqui para trabalhar, não para passares o tempo. Apesar de seres da minha família, preciso da tua ajuda, tal como tu precisas da minha. Portanto, mesmo que sejas da família, não quero que penses que podes fazer o que quiseres ou desobedecer ao Remington. Ele é teu superior – avisou Rachel. – Desculpa se posso parecer dura, mas com a quantidade de empregados que já por aqui passaram, uns piores do que os outros… tenho de me precaver e dizer logo o que espero das pessoas.

Will não disse nada. Nunca fora grande fã de trabalhar. Claro que gostaria muito mais que as coisas lhe caíssem no colo, mas era algo que pura e simplesmente não acontecia. Achou que Rachel era uma mulher dura, mas ainda assim sábia. Se ela não o tivesse avisado, poderia ter-se desleixado mais, mas assim já o colocara na ordem e parecia-lhe que a prima, apesar de o ter querido ajudar, não toleraria abusos de confiança. E ele não queria ter de ir viver para debaixo de uma ponte.

- E agora, vou mostrar-te a cozinha, que fica lá atrás – disse Rachel, passando por uma porta, com Will a segui-la.

A cozinha era bastante grande, com bancadas de inox, um forno grande a um canto e outros mais pequenos, junto de fogões. Haviam bancadas ao centro da cozinha, algumas com vários ingredientes. Uma das bancadas tinha em cima três bolos, com cores diferentes, um deles decorado com morangos, que pareciam realmente apetitosos, sobre uma cobertura de chocolate. Uma outra porta dava para uma dispensa e uma segunda dava para a rua, para um beco onde havia lugar para colocarem o lixo.

Will nunca tinha entrado na cozinha de uma pastelaria e pareceu-lhe muito bem. Imaginou-se a entrar ali e surripiar algum bolo mais pequeno, sem que ninguém visse. Depois, deu uma pancada mental a si mesmo. Era exatamente o tipo de coisa que não devia fazer, mas a tentação era grande, com tantos doces à sua volta. Havia dois homens de um lado para o outro e Rachel aproximou-se de um deles.

- Este é o Edison, o nosso chefe pasteleiro – disse ela.

Edison Masters virou-se, deixando o bolo que estava a enfeitar com uma camada de creme de pasteleiro. Will ficou a olhar para ele. Chefe pasteleiro? Edison não podia ser mais velho do que ele e na verdade não era. Só tinha vinte e um anos. Vestia um uniforme branco e na cabeça tinha um chapéu, que escondia o seu cabelo castanho e a madeixa que lhe estava quase sempre a cair para os olhos. Sorriu, quando Rachel apresentou Will e lhe indicou que ele iria trabalhar ao balcão.

- Sê bem-vindo, então – disse Edison. – Gostas de doces?

- Na verdade, adoro – respondeu Will, lançando um olhar ao bolo que Edison estivera a enfeitar. Depois, olhou para Rachel. – Olha lá, ao menos posso comer uns bolos? É que isto tem tudo ótimo aspeto.

- Podes comer algumas coisas, sem exagero, porque não quero que me leves o negócio à falência – respondeu Rachel, falando com cautela. Nesse dia, trazia um vestido roxo, com pintas brancas, que lhe ficava bem. Usava uns brincos para combinar com o vestido.

- Edison, posso perguntar-te como é que és o pasteleiro chefe? – perguntou Will, de seguida, encarando o outro homem. Ele tinha uns olhos claros, muito expressivos e uns lábios carnudos. – Quer dizer, não me pareces muito velho ou então estás bem conservado. Ainda assim, para teres experiência…

- Eu já cozinho há muito tempo e estudei numa escola profissional, para aprender mais – explicou Edison. Não acrescentou que, infelizmente, não chegara a continuar a sua educação, por falta de fundos. – E sempre que pude, fui tirando cursos. Quando vi o anúncio no jornal, em que procuravam um pasteleiro, candidatei-me.

- E ficou com o lugar. Verdade seja dita, as outras pessoas que apareceram eram horríveis. O Edison pareceu-me demasiado jovem, é verdade e também já lho disse, portanto decidi testá-lo. Pedi-lhe que fizesse um bolo para mim, o que ele quisesse, mas tinha de ser à minha frente, para eu poder avaliar a sua perícia. Fez um bolo com recheio de ovos e depois cobertura de chocolate branco. Adorei – disse Rachel, com um sorriso dançando-lhe nos lábios. – Contratei-o, à experiência. E já lá vão seis meses. Ele continua a surpreender-me, pela positiva. Tomei uma boa decisão.

- Obrigado por essas palavras – disse Edison, parecendo corar ligeiramente.

Will abanou a cabeça. Olhou para o outro homem que havia na cozinha, Tom, que era apenas um ajudante, apesar de ser mais velho do que Edison. Parecia que o rapaz era realmente talentoso para doces. Will esperou vir a provar alguns, em breve, para decidir por si próprio. Rachel despediu-se, levando Will para fora da cozinha. Edison voltou novamente a sua atenção para o bolo. Tinha as faces coradas. Ao olhar para Will, pela primeira vez, ainda antes que ele abrisse a boca, sentira algo. Fora como uma campainha, na sua cabeça. E o coração acelerara. Edison ficou a pensar nisso, mesmo depois de Will ir embora da cozinha. Sentira uma ligação com ele, não sabia porquê. Seria aquilo uma espécie de amor à primeira vista?

Doce Tentação

- Eu pedi um chá de camomila e não um chá de tília – disse uma mulher de idade, sentada a uma das mesas da pastelaria. O seu cabelo era branco, com alguns reflexos azuis e trazia vestida uma camisola em padrões de xadrez.

- Não, pediu um chá de camomila – disse Will. Vestia uma camisola preta e calças pretas também. Rachel ajudara-o a comprar algumas roupas e indicara-lhe que ou tinha de comprar roupas pretas, brancas ou cremes, pelo que ele optara pelas pretas.

- Oiça lá rapaz, eu sei muito bem o que pedi – disse a mulher, começando a perder a paciência.

- E eu sei muito bem o que ouvi, porque de entre nós os dois, sou o que tem melhor audição, porque você é muito mais velha e decrépita. Que eu saiba, você até pode ter alzheimer e entre eu ter ido buscar o pedido e voltar, já se tinha esquecido do que pedira.

- Como é que se atreve a insultar-me? – perguntou a mulher, corando de raiva.

- Peço desculpa pelo comportamento do Will – disse Remington, movendo-se rapidamente de trás do balcão e aproximando-se da mesa, antes que tudo piorasse. – Ele está com alguns problemas pessoais e deve ter trocado o pedido. Peço desculpa pela forma como ele falou consigo também.

- Não sei se desculpo. Até acho que vou fazer queixa no livro de reclamações! – disse a mulher, bufando de raiva.

- Peço-lhe que reconsidere. Ele é jovem e sabe como às vezes os jovens fazem e dizem coisas que não deviam – disse Remington, falando com calma, enquanto Will o olhava, com má cara. – Oiça, vou trazer-lhe o chá correto e a conta fica por conta da casa, pode ser?

- Bem… está bem, mas ele que se modere. Eu já venho aqui há muito tempo, mas posso ir a outra pastelaria qualquer – disse a mulher, mas acalmou-se um pouco. – O que vale é que os bolos aqui são mesmo bons e você atende bem as pessoas, Remington.

O homem agradeceu e afastou-se, lançando um olhar a Will, que foi com ele para trás do balcão. Remington fez rapidamente o chá e levou-a à cliente. Depois, regressou para junto de Will e levou-o até uma ponta do balcão, o mais afastado possível da cliente. Não haviam outros clientes por atender naquele momento e Remington achou que também não podia deixar passar a situação. Era o terceiro dia de trabalho de Will e até ali ele estivera a aprender, sem grandes percalços.

Não que Will fosse naturalmente bom no atendimento aos clientes. Remington já lhe dissera que tinha de ser mais simpático, que tinha de sorrir mais, não bastava ser eficiente e conseguir carregar uma bandeja com cafés, chás e bolos. Mas Will não era muito dado a sorrir e tinha uma desconfiança natural de estranhos, mesmo que os estranhos fossem os próprios clientes. Ainda assim, nunca tratara mal nenhum, até àquele momento.

- Ouve, não podes falar assim com os clientes – disse Remington, suspirando e tentando falar de forma calma, para não chamar as atenções de nenhum cliente que ali estivesse e pudesse ouvir. – Caso contrário, entretanto não haverá clientes para atendermos.

- Mas ela pediu um chá e depois disse que tinha pedido um chá diferente. Eu sei muito bem que ela está a mentir. Provavelmente esqueceu-se, devido à idade avançada – disse Will, zangado. – Portanto, não lhe podia dar razão, quando não a tem.

- Uma coisa era defenderes a tua versão, outra era insultares a cliente, como fizeste. Portanto, ficas a saber que não quero que isso volte a acontecer. Não podes insultar os clientes e se por acaso fizerem uma reclamação ou disserem que não foi aquilo que pedirem, pedes desculpa e vais buscar o que disserem.

- Mesmo que eu não tenho culpa nenhuma? Mesmo que o engano não seja meu?

- Eu sei que custa ouvir isso, mas sim, para evitar conflitos, é melhor assim. Agora, vou manter isto entre nós, porque se o contasse à Rachel, ela ficaria mesmo muito aborrecida, mas se algo assim voltar a acontecer, terei de lhe contar, entendido?

- Continuo a achar que é injusto, mas que seja – disse Will, mordendo o lábio.

Will não achava que o cliente tivesse sempre razão, mas aparentemente aquela cliente era uma cliente habitual. E portanto, Will resolveu que não falaria mais no assunto, mas também não lhe iria pedir desculpa. Visto não terem muitos clientes de momento, Remington indicou a Will para tirar uma pausa e portanto ele aproveitou para ir até à cozinha. Edison estava lá, a preparar um bolo para o aniversário de um rapaz. Will aproximou-se, vendo como estava a correr a preparação.

O bolo era de chocolate, com cobertura de açúcar, leite e nozes. Edison fizera carrinhos de açúcar, um vermelho, um verde e um azul. O rapaz para cuja festa de aniversário o bolo estava a ser feito, iria fazer oito anos, portanto fazia sentido. Edison estava agora de volta das letras, para dizer feliz aniversário e o nome da criança. Will achava que ele tinha realmente jeito no que fazia e ainda o conhecia há pouco tempo. Colocou-se ao seu lado. Edison era alguns centímetros mais baixo do que ele.

- O bolo ficou bonito – disse Will e ele não era de muitos elogios.

- Parece-me que ficou – disse Edison, afastando-se um pouco, quando terminou. Os carrinhos estavam no lugar e até fizera um pequeno sinal de stop. As letras tinham ficado perfeitas. – Espero que o rapaz vá gostar.

- Vai gostar pelo menos dos carrinhos, de certeza – disse Will, mas não estava demasiado interessado no que o rapaz pensaria. – E então, estou numa pausa e estou esfomeado. O que é que tens aí que eu possa comer? Algo bem doce.

- Pensei em ti quando estava a fazer uns cupcakes – respondeu Edison, aproximando-se de uma bancada. Pegou num cupcake grande, de chocolate, com uma cobertura amarela. – A cobertura tem um pouco de limão, que sei que não é doce, mas é para contrabalançar o resto. Não quero que apanhes diabetes ou algo assim.

- Não sei como consegues trabalhar rodeado de doces e seres magro – disse Will, aceitando o cupcake.

- Na verdade, eu gosto muito de cozinhar, de fazer doces em especial, mas não sou muito de comer doces. Prefiro os salgados – disse Edison. Will ficou a olhá-lo, parecendo chocado com aquela afirmação. – É verdade. Não estou a dizer que não gosto de comer doces, mas não é algo que eu adore.

- Então porque raio te tornaste pasteleiro?

- Como eu disse, gosto de cozinhar e gosto de ver como as pessoas ficam felizes quando provam os bolos e por vezes só de olhar para eles, porque também se come com os olhos – respondeu Edison, sorrindo ligeiramente. Will levou o seu cupcake à boca e deu uma dentada. Mastigou um pouco e depois sorriu. – Gostas?

- Está muito bom. Tinhas razão quanto à cobertura de limão, faz com que o cupcake não saiba demasiado a doce, mas ainda assim tem um gosto mesmo bom. Podia comer mais dois ou três, de certeza.

- Mas não me parece que a Rachel fosse gostar disso.

Will sabia que assim era, portanto comeu apenas aquele cupcake, mas apreciou-o bastante. Edison ficou muito satisfeito que assim fosse. Ver Will sorridente, fê-lo pensar no que faria no dia seguinte, para o surpreender e conseguir obter dele outro sorriso. Sentiu o estômago às voltas, como se tivesse lá borboletas. Depois de acabar de comer, Will indicou que tinha de regressar ao balcão, mas agradeceu a Edison e foi embora. O pasteleiro voltou ao trabalho também, para fazer outro bolo de aniversário que tinha sido encomendado.

Doce Tentação

Passava pouco das seis e meia da tarde, mas Edison já estava a jantar. Devido ao seu horário na pastelaria, em que entrava ao trabalho às cinco da manhã, as horas das suas refeições acabavam por ser diferentes das da maior parte das pessoas. Edison vivia num apartamento, na periferia da cidade, que partilhava com duas outras pessoas, para dividir as despesas. O apartamento tinha três quartos, uma casa de banho, uma despensa pequena, uma cozinha de tamanho médio, uma pequena varanda e uma sala de estar. Edison, que gostava de tudo limpo e arrumado, tentava que toda a casa assim estivesse, mesmo os quartos dos outros dois inquilinos.

- Edison, cheguei – disse uma voz.

Edison estava na cozinha, a meio do seu prato de arroz e carne. Dana Reids surgiu à porta da cozinha e encostou-se à calha da mesma, sorrindo ligeiramente. Dana era colega de casa de Edison e também a sua melhor amiga. Com vinte e um anos, Dana tinha estatura média, pele escura e cabelo preto encaracolado, que lhe caía até aos ombros. Nesse dia, vestia uma blusa branca e uma saia azul escura até aos joelhos. Dana trabalhava numa loja de animais e adorava o seu emprego. Se pudesse, adotaria vários animais, mas vivendo no apartamento, acabara apenas por trazer para lá um canário, cuja gaiola estava na varanda e um peixinho vermelho, que tinha no seu quarto.

- Hoje cheguei um pouco mais cedo, mas ainda assim não a tempo de comer contigo – disse Dana, avançando para uma das cadeiras da mesa da cozinha e sentando-se. – Como é que correu o teu dia? Viste o bonzão?

- Não lhe chames isso.

- Pelo que me disseste dele, é a ideia que tenho, que ele é muito bonito – disse Dana, soltando uma gargalhada, enquanto Edison comia uma garfada de arroz. – Mas não respondeste à minha pergunta. Vieste-o ou não?

- Claro que vi, trabalhamos no mesmo local – respondeu Edison. – Ele costuma vir ver-me nas pausas.

- Uh, isso está a avançar depressa.

- Não é nada disso e sabes bem. Ele vem ver-me, mas nem falamos muito. Quer comer e pelo menos parece estar a gostar das coisas que lhe tenho preparado.

- Mais um pouco e podia ser nosso colega de casa, porque nós aqui também gostamos da comida que nos preparas. Agora falando mais a sério. Edison, se queres alguma coisa com ele, tens de te mexer. Faz hoje uma semana que ele está a trabalhar na pastelaria, não é? – perguntou Dana. O amigo acenou afirmativamente com a cabeça. – E vem ter contigo para comer doces, nada mais. Entretanto, ainda se torna teu amigo e depois não vai passar disso.

- Há amigos que acabam por se apaixonar – contrapôs Edison, com um aceno de cabeça. – Além de que, o que queres que faça? Nem sei realmente nada sobre ele ou quase nada. É primo da patroa, está a trabalhar na pastelaria e ele já me contou que está a viver em casa da prima. Tirando isso… pouco mais sei.

- Então, tens de lhe perguntar, para ver se ele se abre. Age, em vez de reagires, caso contrário não vais chegar a lado nenhum, ouve o que te digo – avisou Dana. – E digo isto porque sou tua amiga e tu é que me confessaste que achas que te apaixonaste por ele à primeira vista. Não o deixes escapar.

- Tenho de pensar no que lhe vou perguntar e como o fazer, sem parecer intrometido.

- Dá-lhe doces e pergunta-lhe coisas enquanto ele come. Se fica satisfeito com os doces, estará mais recetivo a falar.

Edison terminou a sua refeição. Achou que talvez a amiga tivesse razão no que dizia. Deveria tentar saber mais coisas sobre Will, a sua vida, a sua família, daquilo que gostava, além de bolos e afins. Edison questionou Dana se queria comer já, mas ela indicou que não fazia mal comer mais tarde. Geralmente, Edison fazia a comida para o jantar dos colegas de casa, Dana arrumava as coisas e limpava o pó e o outro colega de casa levava o lixo e ajudava a passar a ferro. Enquanto começava a fazer alguma comida para o jantar dos dois colegas de casa, Edison pensou em Will. Ele era realmente bonito, mas continuava a ser um mistério. Talvez isso mudasse, em breve.

Doce Tentação

Sam Nuners saiu do autocarro, juntamente com outros passageiros. O sol brilhava no céu e havia apenas uma pequena brisa. Aguardou alguns segundos, para que o motorista abrisse a bagageira do autocarro e depois Sam tirou de lá uma mala de viagem azul escura, com rodas. Começou a puxá-la pela rua fora, em direção à pensão onde iria ficar. Pelo que vira, na internet, não era grande coisa, mas era bastante barata, portanto era para lá que ele iria.

- Vick, quando é que vais lá a casa, para conheceres os meus pais? – perguntou uma jovem, que caminhava de braço dado com um rapaz, que era claramente o seu namorado. Ela era mais baixa que ele e usava o seu cabelo num rabo de cavalo.

- Não, sei qualquer dia, Marissa – respondeu o namorado. – Em breve.

Sam viu-os afastar-se, enquanto ele próprio continuava a caminhar. Não os conhecia de lado nenhum, mas parecia que a rapariga estava mais interessada naquele namoro do que o rapaz ou talvez só assim parecesse. Sam estava sozinho, sem namorado e verdade fosse dita, sentia falta disso. Não tinha só a ver com sexo, mas também com companhia, conversa e ter alguém com que tivesse intimidade, que pudesse beijar, que lhe sorrisse. Passou para outra rua e continuou a caminhar.

Parou de andar junto de uma montra de uma loja, que mostrava quadros e fotografias de pessoas, a sorrirem, em retratos isolados ou em grupo. Lembrou-se da casa dos pais, onde também havia um retrato de família, na sala de estar. Apesar de ter voltado para a casa durante um tempo, a sua estadia terminara. Sam já tinha decidido que tinha de se tornar independente, mas naquele caso não tivera muita alternativa, quando os pais o tinham mandado embora. Portanto arrumara as suas coisas, encontrara uma pensão, fazendo uma reserva, apanhara o autocarro e agora ali estava. Queria começar uma nova vida.

Depois de se instalar na pensão, teria de começar a procurar um emprego e mais tarde, um local certo onde viver. Sam tinha um plano na sua cabeça, restava saber se o plano se iria concretizar conforme ele queria. Detestaria ter de regressar a casa dos pais, sem dinheiro nenhum, dizendo que não conseguira arranjar emprego, nem nada assim. Respirou fundo e continuou a caminhar. Era jovem e mesmo não tendo muita experiência profissional, arranjaria algum local onde trabalhar, de certeza.

Quando estava quase a chegar à pensão, passou por um homem alto, com farto cabelo preto. Recordou-se de imediato de Will, o seu ex-namorado. Tinham estado juntos mais ou menos um ano. Will não tinha uma vida fácil e não era exatamente a pessoa mais otimista ou sorridente de sempre, mas Sam gostava dele. No entanto, a relação acabara por chegar ao fim e ele acabara por abandonar a cidade, de volta a casa dos pais. Não esquecera Will, isso era certo e agora que estava de novo na cidade, tinha esperança de o poder encontrar.

Só que não fazia ideia de por onde ele andava. Ouvira dizer, por um amigo comum, que, entretanto, também mudara de cidade, que Will se mudara para uma parte complicada da cidade. Encontrá-lo não seria fácil. O número de telemóvel que Sam tinha já não funcionava, portanto Will devia ter mudado de número. E não gostava de redes sociais. Tinha um Instagram, que já não era atualizado há meses, portanto apesar de Sam lhe poder enviar uma mensagem por lá, não lhe parecia que fosse ajudar muito.

A pensão era um edifico já com muitos anos, tinha três pisos e ficava entalada entre um edifício moderno e uma mercearia. Sam aproximou-se de um balcão e uma mulher roliça e já com alguma idade olhou para ele, avaliando-o. Sam era alto e magro, com cabelo ruivo bastante revolto. Vestia um blusão de ganga e calças de ganga também. Indicou à mulher que tinha uma reserva e ela passou-lhe uma chave.

- Não tem então data para se ir embora, pois não? – perguntou a mulher, numa voz que parecia um sussurro.

- Não. Para já, irei ficar aqui, por tempo indeterminado – informou Sam. Agarrou na mala e começou a subir as escadas. Aquele local teria de servir, até encontrar algo melhor, que pudesse pagar.

Doce Tentação

- A comida não está muito má, pois não? – perguntou Rachel.

Era o fim do dia e ela e Will estavam a jantar. A pastelaria fechava ao público às sete da tarde, pelo que depois de algumas limpezas e arrumações, os funcionários estavam despachados. Will estivera a fazer o primeiro horário da manhã, pelo que entrara às oito da manhã e saíra às três da tarde. Aproveitara para passear um pouco e depois regressara ao apartamento, para ver um pouco de televisão. Rachel ficara até ao fecho e ao regressar ao seu apartamento, com a satisfação de dever cumprido, ainda fora preparar o jantar, que consistia nuns bifes e em arroz.

- Não, não está má – respondeu Will. Já percebera que a prima não era grande cozinheira. O arroz estava insonso. Mas não se queixou, visto que ele próprio não era grande coisa a cozinhar. Criticar a comida de Rachel só a aborreceria e não o favoreceria nada a ele.

- Então, já passou uma semana. Como é que achas que estão a correr as coisas? – perguntou Rachel, comendo um pouco de arroz. Também achava que estava insonso, mas não se iria queixar da sua própria comida.

- Acho que estão a correr bem, no geral – respondeu Will. Não voltara a exaltar-se com nenhum cliente, felizmente, apesar de Remington estar sempre de olho nele. – Tenho aprendido várias coisas e até não me parece que esteja a correr mal.

- O Remington tem-me dito que te estás a esforçar – disse Rachel, olhando com atenção para o primo. – Portanto isso deixa-me satisfeita. Quero o melhor para o meu negócio e acredites ou não, também quero o melhor para ti próprio. Também ouvi dizer que o Edison te tem preparado alguns doces.

- Tu disseste que eu podia comer alguns – disse Will, antes que a prima o acusasse de alguma coisa. Claro que ela inicialmente falara em ele ter um preço mais baixo, em vez de ter bolos de graça, mas Will não se iria focar nisso. – Portanto, sim, nos meus intervalos, como um ou outro, que o Edison me preparara. Ele faz bolos mesmo muito bons.

- Sim, lá isso é verdade. Foi um achado, um verdadeiro achado. Não só tem talento, como aprende bastante depressa e é muito imaginativo. Temos tido mais encomendas de bolos de aniversário, porque tem passado a palavra sobre os seus dotes – disse Rachel. Bebeu um pouco de água do copo que tinha à sua frente. – Tirando fazer bolos fenomenais, o que achas do Edison?

- O que acho? Não sei, é simpático, acho eu, mas eu não sou muito falador, portanto…

- Estou a ver – disse Rachel, continuando a comer. O primo franziu o sobrolho e ela, depois de engolir o arroz que tinha na boca, abanou a cabeça. – Quero que nos demos todos bem, Will, portanto conto contigo para te comportares, em relação a toda a gente.

Will não disse nada. Não fizera nada de mal na última semana, tirando a situação com a cliente idosa. E não se dava mal com ninguém no emprego. Remington também não falava assim muito com ele, Edison era simpático e Will tinha pouco contato com o ajudante dele, Tom. Até não estava a desgostar do emprego e os bolos que comia todos os dias deixavam-no realmente satisfeito. O ponto alto do dia era ver Edison e ele dar-lhe algum bolo. Esperou que continuasse a sentir-se assim nos próximos tempos.

Continua…

Termina assim este capítulo, com a introdução das personagens. No próximo capítulo, Sam procura emprego e Will descobre algo que o vai deixar muito nervoso.