No capítulo anterior: Sam e Michael falam da relação de Sam com Edison e Sam admite que ele e Edison ainda não se envolveram, porque estão a levar as coisas com calma. Sam vê Vick à porta da loja, a fumar e fala com ele, tentando perceber porque é que ele não é muito simpático com os seus colegas, mas Vick diz-lhe para se meter na sua vida. Remington vai até à escola do filho, onde fala com o diretor e exige que ele faça algo em relação aos rapazes que estão a atormentar Evan. O diretor promete que irá resolver o assunto. Dana e Edison vão sair e ela fala de como lhe doi estar longe de Charles. Edison diz-lhe que devia pensar no que é melhor para a sua felicidade. Os dois falam também de como Sam não sabe quase nada sobre a família de Edison, nem do que ele esconde.

Will vai até um bar, beber e Michael surge. Will confessa-lhe que o seu pai é um assassino, pois matou uma pessoa há três anos atrás, está preso e que se detestam um ao outro. Michael leva Will até ao apartamento de Rachel e Will beija-o. No dia seguinte, Fletcher vai correr e encontra Michael, que está a pensar renovar a imagem da sua loja e lhe pergunta se Fletcher quer ser um dos modelos para os novos pósteres. Mais tarde, Remington mostra-se algo desconfiado pela proximidade entre Michael e Fletcher, mas Michael garante-lhe que nunca fez nenhum avanço sobre Fletcher e convida Remington para fazer parte da renovação da imagem da sua loja. Sam vai até à pastelaria e fala com Elli. Consegue dar-lhe a volta e ela revela que Vick se sente desconfortável com as relações homossexuais, o que faz Sam compreender melhor as atitudes do outro homem.

Capítulo 15: Envolvimentos

- Acho que vou pedir ao Edison e à Elli que façam um bolo especial, para eu levar para o almoço com a tua família – disse Rachel.

Ela e Nathan estavam a almoçar num restaurante, um dos favoritos de Nathan. Fora ele que convidara Rachel para almoçar, portanto ela aceitara. Claro que o restaurante oferecia muito mais pratos do que ela tinha à disposição para um almoço na pastelaria, mas ainda assim, se fosse ela a decidir, preferia comer lá, para dar lucro à casa. Mas não dissera nada, pois fora Nathan a convidá-la e além disso, não podia esperar nunca mais ir a restaurante algum e comer sempre na pastelaria.

- Considerando que os meus pais sabem que tens uma pastelaria, levares um bolo será boa ideia, sim – disse Nathan, sentado à sua frente. Vestia um fato completo verde escuro e uma camisa branca.

- Alguma preferência? Alguém da tua família tem alergia a alguma coisa?

- Há sempre alguém que não goste de algo e desde que não uses amendoins, não me parece que vá haver problemas quanto a alergias – respondeu Nathan. Esticou o braço e agarrou numa das mãos de Rachel. – Estou de volta de um caso importante, mas quando a situação estiver resolvida, já terei mais tempo livre, para podermos estar juntos.

- Que tipo de caso é? – perguntou Rachel. Nathan retirou a mão e ela abriu um pequeno pacote de manteiga, barrando-a no pão que tinha colocado no prato.

- Sabes que não posso falar-te dos casos de que estou a tratar. Confidencialidade para com o cliente – respondeu Nathan, com um aceno de cabeça.

- Oh, vá lá, não podes dizer-me tudo, eu sei, mas os casos estão a ser julgados e a não ser que estejam em segredo de justiça, até pessoas comuns como eu podem assistir aos julgamentos – disse Rachel. Nathan olhou-a e sorriu. – Pois, eu também sei umas coisas, Nathan.

- Está bem, está bem, mas não gosto muito de falar de trabalho. Estou a defender uma mulher que está acusada de ter matado o marido. Portanto, está a dar-me bastante trabalho.

- E achas que ela é inocente? – perguntou Rachel, trincando o pedaço de pão.

- A minha função é defender a minha cliente, com tudo o que a lei coloca à sua disposição e é isso que estou a fazer.

- E com isso, não respondeste à minha pergunta – observou Rachel. Nathan não disse nada. – Pois, ao que parece os advogados não se podem comprometer, não é? Pergunta-se se é A ou B. E a resposta é sempre C.

- Temos muitas normas a seguir. Não podemos simplesmente sair por aí a dar a nossa opinião. Temos de defender o cliente, ainda que possamos achar que está a mentir. Ou mesmo que a pessoa seja culpada, porque todos têm direito a uma defesa – indicou Nathan. – Sei que pode parecer aborrecido, não poder responder a tudo o que perguntas ou dar-te uma resposta direta, mas é assim que as coisas são.

- O que me faz crer que a tua cliente é culpada, porque caso contrário não me parece que tivesses grande problema em dizer que acreditas nela e moverás mundos e fundos para que ela não seja condenada por um crime que não cometeu. Mas não foi isso que disseste e por mais esquivo que tentares ser, eu consigo ver para lá de ti.

- Bem, eu sabia que eras especial, mas és também inteligente e ao que parece não é fácil conseguir ser-se vago, sem tu perceberes algumas coisas – disse Nathan, soltando uma gargalhada. Depois voltou a ficar sério. – Não posso mesmo falar disto. Ainda que não tenha sequer mencionado nomes, vamos mudar de assunto.

- Só não consigo entender como é que consegues defender alguém assim. Quer dizer, imaginando que a tua cliente é realmente culpada e matou o marido, tu vais ajudá-la a ter uma pena menor? Ou talvez nem vá presa – disse Rachel. – E imagina que fazes tão bem o teu trabalho que ela se safa, vai à sua vida. E um dia, mais tarde, vens a saber que ela matou outra pessoa. Como é que te irias sentir?

- Sentimentos têm de ficar de parte, na minha profissão. Eu não posso ser responsável pelo que algum cliente meu decida fazer no futuro, ainda que seja reincidir no mesmo tipo de crime ou noutro tipo de crime qualquer.

- Está bem, mas não te pesaria na consciência algo assim? A mim pesaria, de certeza – disse Rachel. – Defender alguém, sabendo que essa pessoa era culpada, para depois ela poder ir fazer mal a outra pessoa ou pessoas. Não acho que conseguisse viver comigo mesma se algo assim acontecesse.

- Nem todos têm perfil para poderem ser advogados. Mas, conforme a lei assim o dita, todos têm direito a ser defendidos, desde aquele que é acusado de ter roubado um pão, até àquele que cometeu os crimes mais hediondos. E a função do advogado é defender os seus clientes, mesmo que não concordem com o que eles fizeram – disse Nathan, falando de forma calma.

- Isso é tudo muito bonito, mas imagina que alguém da tua família é assassinado. Então, um colega teu vai defender o assassino. Tu queres justiça, claro, porque a pessoa é da tua família, foi assassinada, não importa qual o motivo. Então, o teu colega faz tudo o que consegue parar livrar o seu cliente de uma pena ou pelo menos de uma pena pesada. Que o cliente estava sobre o efeito de alguma substância ou que tem algum tipo de problema mental, pelo que não pode ser realmente responsável pelo que fez – disse Rachel, falando rapidamente. – E então, o assassino tem a sua pena cortada ou vai passar uns tempos num hospital psiquiátrico. Ficarias satisfeito com essa resolução?

- Rachel, isso é um cenário hipotético…

- E então? Pode acontecer e garanto-te que já aconteceu a muita gente. Eu digo-te que eu não ficaria satisfeita se alguém que é culpado, que tirou uma vida, por exemplo, tivesse direito a desculpas – disse Rachel. Falava agora de um assunto que conhecia, mas que não iria realmente partilhar com Nathan. – Não é justo. Não é justo que os criminosos pareçam ter tantos direitos e possam ser defendidos a todo o custo.

- É por este tipo de coisas que não gosto de falar do meu trabalho. Temos pontos de vista diferentes e apesar de perceber o que dizes, não posso mudar de opinião. É o que faço e peço que aceites isso – disse Nathan. – E vamos mesmo mudar de assunto, por favor.

Rachel respirou fundo e decidiu que era mesmo melhor que deixassem o assunto morrer ali, para não se aborrecer. Nathan era advogado, ela tinha de se mentalizar disso, mas custava-lhe que pudesse parecer assim tão frio. Parecia que o seu trabalho não envolvia sentimentos, mas envolvia, porque havia sempre pessoas que saíam magoadas. Claro que ele também podia defender inocentes e nesse caso seria completamente diferente. A comida chegou e começaram a falar de uma notícia que tinham ouvido, deixando os assuntos de advocacia para trás.

Doce Tentação

Remington ainda não recebera nenhuma informação da parte da escola, de que tinham falado com os pais dos rapazes que se tinham metido com Evan. Talvez ainda não tivessem ido à escola ou talvez a escola não o fosse realmente informar. Remington só queria que o filho pudesse estar na escola em paz, sem ter medo de alguém e sem ser ridicularizado. Naquela tarde, calhava a Remington fechar a pastelaria.

Ele gostava mais das manhãs do que das tardes. De manhã, havia mais movimento e tinha mais colegas a trabalhar. Gostava do cheiro dos bolos acabados de fazer, do pão fresco, das pessoas que vinham tomar ali o pequeno-almoço. Ao colocar as cadeiras viradas ao contrário, em cima das mesas, para lavar o chão, agora com tudo vazio, Remington sentiu-se um pouco cansado. No dia seguinte, teriam a visita do jornalista que iria fazer a reportagem sobre a pastelaria. Remington esperou que corresse tudo bem. Ouviu uma batida na porta e depois de hesitar aproximou-se.

- Dana? – perguntou Remington, destrancando a porta.

- Desculpa só aparecer agora. O Edison esqueceu-se de levar um pão caseiro e diz que te tinha ligado para o guardares – disse Dana, com Remington a deixá-la entrar na pastelaria.

- Sim, realmente tinha o pão guardado, mas como o Edison não apareceu, pensei que afinal ele tinha mudado de ideias – disse Remington. Por norma, não sobrava muito pão, mas o que sobrava era normalmente transformado em pão ralado no dia seguinte. Remington caminhou até ao balcão, pegando num saco de papel castanho, onde estava o pão que Dana viera buscar. – Aqui está ele.

- Muito obrigada – disse Dana, aceitando o pão. Hesitou um pouco e depois acabou por se decidir a falar. – Remington, eu sei que não temos realmente confiança um com o outro, mas lembro-me de há um tempo o Edison me ter contado que tu tinhas tido uma namorada que foi para outra cidade. E depois, acabaram tudo.

- Isso foi há muito tempo – disse Remington. – Antes de conhecer o Fletcher. Mas sim, é verdade. Namorávamos há dois meses quando a mãe dela teve um acidente grave. Como a mãe vivia longe, a minha namorada foi para junto dela. Mas os meses passaram e depois ela disse-me que não se via a voltar para aqui. Queria estar perto da mãe. A relação ainda durou um pouco mais, mas eventualmente percebemos que não iria realmente resultar assim e terminámos tudo.

- Então, ela não queria voltar, mas em momento nenhum pensaste em seres tu a mudar-te, para ires ter com ela?

- Isso passou-me pela cabeça, sim. Falámos algumas vezes, mas nunca de forma demasiado concreta, até que achei que não fazia sentido deixar tudo o que tinha para ir atrás dela. Nessa altura, eu já era pai e não podia simplesmente largar o meu filho e ir embora. Ainda que ele viva com a mãe, ficaria demasiado longe para o ver com frequência – explicou Remington. – Mas não era só isso. Eu gostava dela, mas… não era uma paixão avassaladora. Tomei a decisão com a cabeça, não o coração.

- E não te arrependeste?

- Não. Algum tempo depois, conheci o Fletcher. Se tivesse ido embora, provavelmente isso não teria acontecido e teria perdido muito do contato que tenho hoje com o meu filho – respondeu Remington. – Mas porque perguntas?

- É algo pessoal… porque eu estou… estava numa relação à distância – respondeu Dana, algo hesitante. Remington contornou o balcão, sentindo que aquela era uma conversa importante para a jovem. Apontou para a única mesa em que não tinha ainda virado as cadeiras. Os dois acabaram por se sentar e Dana continuou a falar. – Eu e o Charles não namorávamos à distância, de início. Já estávamos juntos há algum tempo, quando ele teve uma proposta de emprego. Era o emprego de sonho dele, portanto ele lá foi e eu fiquei na cidade. Tenho aqui a minha família, os amigos, o meu emprego…

- Compreendo. Mas já não estão juntos?

- Não. Infelizmente não. O Charles acabou tudo comigo, por causa da distância. Ao mesmo tempo que me doi, consigo compreender que à distância as coisas não estariam a funcionar para nenhum de nós – disse Dana. – Mas ouvindo a tua história, em como também não foste para longe e encontraste outra pessoa…

- Mas eu não estava apaixonado, não realmente e era uma relação de pouco tempo. No teu caso, pela forma como falas, é diferente – disse Remington, com um aceno de cabeça. – Tu gostas mesmo dele, não é verdade?

- Sim, disso não tenho dúvidas. O problema é tudo o resto. Não sei o que fazer. De uma forma ou de outra tenho de abdicar de algo e isso custa – disse Dana. – Deixo para trás a minha família, amigos e o emprego ou perco o homem que amo?

- Essa é uma decisão que só tu podes tomar. Depende do que sintas e depende do que estejas disposta a abdicar. Lamento não ter uma solução para ti, mas a minha história não é exatamente como a tua. Sou sincero, não acredito que haja apenas uma pessoa no mundo que nos faça feliz. Eu encontrei o Fletcher e tu, um dia, encontrarás outra pessoa. Se gostarás dessa pessoa da mesma forma ou não, não posso dizer.

- Obrigada, Remington – disse Dana, levantando-se. – Desculpa as perguntas e ter-te tomado tempo.

- Não tem problema, Dana. Todos temos o objetivo de sermos felizes, portanto faz o que te fizer mais feliz.

Dana acenou com a cabeça, chegou à porta e saiu. Remington suspirou, virando as cadeiras da última mesa, antes de começar a lavar o chão. O amor podia ser complicado e ele compreendia que Dana estivesse dividida. Não quisera dizer-lhe se devia fazer isto ou aquilo, pois a decisão final tinha de ser dela. Esperava realmente que ela tomasse a decisão que a deixasse mais feliz, fosse qual fosse.

Doce Tentação

Ao chegar a noite, Will decidira ir ao mesmo bar que fora na noite anterior. Na verdade, tinha esperança de encontrar Michael lá novamente. Teria sido mais fácil ir à loja de desporto falar com ele, mas isso implicaria ter de ver Sam também, pelo que Will decidira que não iria lá. Podia também ter perguntado a Rachel se tinha o contato de Michael, mas ela faria demasiadas perguntas. Portanto, decidira ir beber uma bebida, esperando que ele aparecesse. Sentou-se ao balcão e pediu uma cerveja.

Não queria beber muito nessa noite, pois queria ter a cabeça no lugar, sem o impacto do álcool. Bebeu a cerveja devagar, mais devagar do que faria normalmente. Havia mais pessoas no bar nessa noite, do que na noite anterior, pelo que havia bastante barulho. Will terminou a sua cerveja, olhou para o relógio de pulso e ficou impaciente. Quando estava quase a desistir, viu Michael entrar. Trazia uma camisola azul escura e calças pretas. Viu Will, mas hesitou sobre se devia aproximar-se ao não. No entanto, Will fez-lhe sinal com uma mão.

- Senta-te comigo, para podermos falar – disse Will, quando Michael chegou junto dele. Um homem tinha saído, deixando o lugar vago, pelo que Michael se sentou. – Queria falar sobre o que aconteceu na noite passada. Eu estava um pouco embriagado. Talvez mais do que um pouco e agradeço por me teres levado até ao prédio onde vivo. E não posso deixar passar o facto de te ter beijado. Ainda que tivesse bebido, não é algo de que me tenha arrependido.

- Na verdade, pensei que fosses dizer exatamente o contrário – disse Michael, olhando-o. O barman aproximou-se e ele pediu uma cerveja. – Porque estás apaixonado pelo Sam e beijares outro poderia ser uma traição ou algo do género.

- Eu sou solteiro, posso fazer o que quiser, com quem quiser – disse Will, de forma fria. – O Sam e eu não estamos juntos, nem eu e o Edison, portanto não tenho de me sentir culpado por nada.

- Muito bem – disse Michael, enquanto recebia a sua cerveja. – Realmente, és descomprometido, tal como eu. E então?

- Então que já não estou com ninguém há muito tempo – disse Will. – Toda a conversa de sentimentos não me levou a nada, a não ser a desgosto. Talvez seja altura de não me preocupar com nada disso. Tu tens fama de conquistador, de te envolveres com várias pessoas, nunca nada sério.

- Por vezes a fama é algo fabricado por alguém que não tem mais nada a fazer e espalha boatos – disse Michael, bebendo um pouco da sua cerveja. Depois sorriu. – Mas neste caso é verdade, sim. Estás interessado em ser mais uma das minhas conquistas, é?

- Porque não? – perguntou Will. – Como disse, sou solteiro, posso fazer o que quiser. Não sou feio. Acho que se nos envolvermos será bom para os dois.

Michael ficou calado, bebendo o resto da sua cerveja. A ideia era tentadora, pois Will era atraente, mas ao mesmo tempo, podia ser complicado, se chegasse aos ouvidos de Sam. Claro que Sam e Edison estavam juntos. Se Sam realmente quisesse ficar com Will, tê-lo ia feito, mas não. Will ficou a olhá-lo atentamente, esperando que Michael dissesse alguma coisa.

- Eu não costumo ser pessoa de hesitar muito – disse Michael. – Mas parece-me que poderás acabar por te arrepender. E depois, como é?

- Não vou fazer mal a ninguém, não terei arrependimentos. Vá, queres alguma coisa comigo ou vou ter de procurar outra pessoa? – perguntou Will. – Afinal, sou humano, tenho necessidades.

- Suponho que queiras que te leve para algum lado, porque se fôssemos para o teu apartamento, a Rachel estaria lá, o que seria desconfortável e ela provavelmente não aprovaria a tua escolha – disse Michael. Levantou-se do banco junto ao balcão, tirou a carteira e pagou pela sua cerveja e pela cerveja de Will. – Vamos lá então.

Will seguiu-o até ao exterior do bar. Não estava apaixonado por Michael, mas tanto lhe fazia. Queria estar com alguém que quisesse estar com ele e Michael era atraente, além de ser o tipo de pessoa com quem poderia envolver-se uma vez e não ter de haver mais nada que os ligasse a seguir. Deram alguns passos e depois Will puxou Michael para si, beijando-o. Ainda que imagens de Sam e Edison lhe quisessem invadir a mente, afastou-as.

Doce Tentação

- Olha para aquela mulher, a agir de forma tão rude – disse Sam, apontando para a televisão. Ele e Edison estavam sentados no maior sofá da sala, lado a lado, vendo um filme. Tinham uma manta em cima das pernas, pois Edison estava com frio. Devia ir deitar-se, pois tinha de se levantar cedo, mas não estava realmente com sono. O facto de haver a reportagem no dia seguinte deixava-o nervoso. – Lá por ser patroa, pensa que pode tratar os empregados como se fossem animais.

- É um filme, Sam, apesar de na verdade existirem patrões e patroas assim. Eu trabalhei num quiosque, durante um verão, quando era mais novo. Era para tentar ganhar algum dinheiro extra – disse Edison. - A avó estava com algumas dificuldades naquela altura. Portanto, eu fui trabalhar para o quiosque e a patroa era mesmo muito má. Implicava com tudo o que eu fazia e com a minha colega também.

- E não desististe logo?

- Não, porque o dinheiro me fazia falta – respondeu Edison. – Portanto aguentei os dois meses do contrato, ainda que fosse verdade que gostaria de vir embora todos os dias. O quiosque era na praia e fazia sempre muito calor. Tínhamos bastantes clientes, mas a minha patroa reclamava de tudo. Da nossa postura, de como devíamos saber falar todas as línguas dos clientes estrangeiros que apareciam, da nossa roupa, de como estava calor, de como as pessoas eram estúpidas, de como ela dava o seu melhor e nós não. Enfim…

- Pelo menos recebeste o teu dinheiro, não é? Mas não sei se conseguiria trabalhar para alguém assim. Claro que, precisando mesmo muito do dinheiro, talvez não tivesse outro remédio – disse Sam. Suspirou e depois mordeu o lábio. – Edison, achas que há alguma coisa de errado connosco?

- Como assim?

- A Dana foi para casa dos pais, depois do jantar – disse Sam. Edison fizera pão recheado, com o pão que Dana trouxera e estava muito bom. Como a maior parte das coisas que Edison cozinhava. – E nós aqui estamos, dois jovens, sozinhos, namorados, apaixonados a ver um filme na televisão, com uma manta sobre as pernas, em vez de estarmos lá dentro no quarto.

- E só por isso há algum problema connosco? – perguntou Edison.

- Não sei, Edison. Será que não gostamos o suficiente um do outro? – perguntou Sam, olhando o namorado nos olhos. – Porque… não, não quero comparar o que temos com nada que tenhas tido anteriormente, mas…

- Eu gosto de ti, a sério, mas não é exatamente fácil para mim avançar depressa no que diz respeito a intimidade – disse Edison. – Mas não quero que penses que é por falta de sentimento ou desejo… só que…

- Tens receio de te magoar? Eu não te faria mal – disse Sam, pousando uma mão no rosto do namorado. – Mas também não te quero pressionar. Só acho que… não sei, ainda estamos demasiado distantes em certos sentidos, apesar de estarmos muito próximos noutros.

Edison ficou calado. Gostava de Sam. Sim, gostava dele e confiava nele, mas havia aquela parte do passado dele que Sam desconhecia. A parte que o fazia hesitar, que o fazia duvidar. Sam deu-lhe um beijo rápido nos lábios e não disse mais nada, voltando a focar-se no filme. Edison fechou os olhos por uns segundos. Queria estar bem consigo próprio. Queria esquecer as coisas complicadas do passado. Queria viver o presente. Tinha alguém de quem gostava e que gostava dele de volta. Voltou a abrir os olhos.

- Sam, podemos… tentar – disse Edison, algo hesitante. Sam olhou-o.

- Não pareces muito convencido, Edison. Esquece o que disse. Está tudo bem – disse Sam, com um aceno de cabeça. Edison olhou-o e depois aproximou-se, beijando-o. Um beijo longo e demorado. – Edison…

- Vem – disse Edison, destapando as pernas e levantando-se. Estendeu a mão para o namorado. – Então?

- Edison, talvez seja melhor noutra altura. Até tens de ir descansar para ires trabalhar e…

- Posso descansar depois. Espero poder dormir no teu quarto hoje – disse Edison, mordendo o lábio de seguida. Sam levantou-se e deu-lhe a mão. Saíram da sala juntos.

Doce Tentação

- Will, finalmente que te levantaste! – exclamou Rachel, que estava sentada à mesa da cozinha. Vestira um vestido amarelo, que lhe ficava muito bem. Afinal, tinha de parecer o seu melhor, pois a reportagem sobre a pastelaria iria acontecer naquele dia. – Ontem chegaste mais tarde do que o habitual. Isto não pode continuar assim.

- Desculpa – disse Will, sentando-se à mesa. Tinha olheiras e ainda estava ensonado, mas tivera de se levantar, pois sabia que se não o fizesse, Rachel apareceria para o acordar da forma mais ruidosa possível. – Talvez não vá sair nos próximos dias.

- Ah sim? Então porquê? – perguntou Rachel, desconfiada, trincando uma torrada. – De repente ficaste farto de sair para beber ou sei lá mais o quê?

- Repensei as minhas ações. Sair à noite e beber não ajuda muito, mas era o que eu estava a precisar para conseguir lidar com as coisas – respondeu Will, servindo-se de café. – E talvez agora consiga seguir em frente.

- Bem, bem, que mudança de atitude – disse Rachel, parecendo surpreendida. – Não me parece que por teres ido sair uma noite, de repente de manhã tenhas tido uma epifania e tudo tenha mudado. Portanto, o que aconteceu? Conheceste outra pessoa?

Will acenou negativamente com a cabeça. Era verdade, não conhecera uma pessoa nova, pois já conhecia Michael. Bebeu um pouco do café, recordando a noite anterior. Michael levara-o a sua casa, que era surpreendentemente maior do que Will esperava. E tinham-se envolvido, como fora acordo tático dos dois. Fora bom. Will ainda não estava completamente recuperado da sua perna, mas apreciara bastante o momento. E depois, terminara e não tinha havido sentimentos à mistura. Michael dissera-lhe que o levaria até ao prédio e ainda que Will protestasse a princípio, tinha aceitado a boleia depois.

- Michael, o que tivemos foi libertador para mim – dissera Will, enquanto Michael guiava o carro para o levar ao apartamento. – Mas parece-me que não vai voltar a acontecer.

- Sim, parece-me que uma vez foi bom, mas duas iria estragar tudo – concordara Michael. – Mas diz-me, como te sentes? Quer dizer, tu ainda gostas do…

- Gosto do Sam e do Edison. Estar contigo fez-me perceber que eu não conseguiria viver a minha vida como tu vives. Não te estou a criticar, não é isso, mas eu preciso de compromisso, preciso de sentimentos no coração para depois tudo encaixar – dissera Will. – Não posso viver a pensar no passado, mas preciso de mais.

- Sim, também me pareceu que assim seria. Oxalá houvesse forma de tu, o Edison e o Sam se entenderem. Talvez haja. Só depende de vocês.

Michael parara o carro junto da porta do prédio e depois Will saíra. Sentira-se mais leve. Parecia que algo saíra dos seus ombros. A necessidade física desaparecera e percebera que Sam e Edison eram ainda mais importantes do que pensara. Afastá-los completamente da sua vida parecia-lhe muito difícil. Queria tudo de bom para eles, porque gostava dos dois e ainda que não pudesse estar junto com um deles, decidira que a sua mágoa tinha de ficar de lado. Envolvera-se com outra pessoa, portanto podia seguir em frente e encontrar alguém disponível, de quem pudesse gostar.

- Will? Então? – perguntou Rachel, olhando para o primo. – Se não conheceste outra pessoa…

- Apenas percebi que ao estar zangado, magoado, apenas faço mal a mim mesmo. E quero que o Sam e o Edison sejam felizes. Também quero ser feliz, portanto tenho de me abrir novamente e se estiver furioso, ressentido, não poderei realmente dar oportunidade a ninguém.

- Bem, tens razão – disse Rachel. Evitou fazer algum comentário maldoso sobre Sam, por continuar a não gostar dele, pois não ajudaria. Se Will tinha decidido deixar os sentimentos maus de lado, a prima tinha de o apoiar. – Então, espero que corra tudo bem, que conheças alguém que te mereça e sejas feliz. E agora, toca a despachar. Não sei exatamente a que horas é que o jornalista vai aparecer, mas não quero que não estejamos lá quando ele surgir.

- Está bem, está descansada – disse Will, roubando um biscoito de um prato. – Eu já estou pronto. É melhor não tentar andar muito de um lado para o outro, quando ele estiver na pastelaria, para ele não fazer perguntas sobre porque é que ando a coxear. Pode dar mau aspeto.

- Quanto a isso, não concordo – disse Rachel, levantando-se da mesa e colocando a loiça no lava-loiças. – Se te perguntar, só tens de dizer a verdade. Tu foste uma vítima, foste atropelado, não fizeste nada de mal, portanto se te perguntar, não é uma vergonha, mas sim mostrares que tens força e empenho para, apesar de não estares ainda totalmente recuperado, ires trabalhar.

- Obrigado, Rachel – disse Will, sorrindo-lhe.

- Olha, ontem quando fui despejar o lixo, abri a caixa do correio e havia lá esta carta para ti – disse Rachel, pegando num envelope que estava num dos balcões da cozinha. – Tem o teu nome escrito à mão e nem sequer tem a morada, portanto vou supor que alguém o pôs na caixa de correio diretamente. Mas vá, vês isto depois. Agora, mexe-te.

Rachel avançou para a porta da cozinha, viu o primo tirar mais um biscoito e depois levantar-se, para a seguir. Nenhum pensou muito mais no envelope, pois estavam empenhados em fazer boa figura para a reportagem e era isso que importava. Mais tarde, Will iria abrir o envelope e descobrir que o seu conteúdo era inesperado.

Doce Tentação

- Então, Sam, não querendo parecer intrometida, queria fazer-te uma pergunta – disse Dana. Sam e ela estavam sentados à mesa da cozinha, tomando o pequeno-almoço. Edison já saíra há muito, para ir trabalhar. – Ontem, depois de chegar de casa dos meus pais, ainda fui ao quarto do Edison, para lá deixar uma pen que lhe tinha pedido emprestada e vi que o quarto estava vazio. Ora, à hora que cheguei normalmente ele já está a dormir. Além de que procurei pela casa, tirando no teu quarto e ele não estava em lado algum.

- E a pergunta é se ele passou a noite no meu quarto – disse Sam, comendo uma colherada de cereais. Dana ficou a olhá-lo. – Bem, podia dizer para perguntares ao Edison, mas sei que ele te dirá, és a melhor amiga dele, além de que não é segredo, nem é como se alguém tivesse feito algo de mal, portanto sim, ele dormiu no meu quarto comigo.

- Ah. Bem, fico satisfeita com isso – disse Dana, bebendo um pouco do seu café com leite.

Estava a ser sincera, pois era bom sinal que Edison tivesse passado a noite com Sam. Nem que tivessem apenas dormido na mesma cama, visto que iria significar uma aproximação maior e que Edison estava mais confiante. Dana preocupava-se com ele, mas confiava em Sam e achava que eles faziam um casal muito querido. Queria perguntar-lhe mais coisas, mas achou que não devia. Não tinha esse tipo de confiança com Sam, mas talvez perguntasse a Edison, ao final do dia.

Sam continuou a comer os seus cereais, sorrindo, por estar feliz. Ele e Edison tinham ido para o quarto, na noite anterior. Tinham-se beijado e começado a tirar a roupa, mas a determinado momento, Edison quisera parar. Sam sentira-se desapontado, mas não quisera pressioná-lo, se Edison não tinha intenções de ir mais longe. Tinham-se deitado juntos, com Edison abraçado a ele. E Sam pensara que ficariam por ali. De qualquer forma, sempre era mais do que tinham tido até àquele momento.

Mas uns minutos mais tarde, ainda com ambos acordados, Edison começara a beijá-lo. E Sam, claro, correspondera. Parecia que Edison tinha mudado de ideias, ganhado coragem ou algo do género, mas daquela vez não tinham parado. Tinham feito amor e na opinião de Sam, fora maravilhoso. Tinham acabado por adormecer abraçados um ao outro. Quando acordara, Sam estava sozinho. Claro que sabia que Edison tinha de se levantar muito cedo, mas nem sequer o sentira abandonar a cama. Teria preferido acordar ao lado dele, mas talvez acontecesse, em breve.

- Falei com o Charles ontem à noite – disse Dana. Queria realmente falar com Edison, mas como ele não estava e ela precisava de desabafar, achou que Sam seria uma boa escolha também. – Na verdade, estava a pensar ligar-lhe, quando o meu telemóvel tocou e era ele.

- E então? O que é que ele disse? – perguntou Sam. Nunca conhecera Charles, mas já ouvira falar dele várias vezes.

- Começou a falar de forma um pouco nervosa e acabou por me perguntar se estava tudo bem comigo. Respondi que sim, apesar de não ser totalmente verdade, mas normalmente as pessoas quando perguntam isso só querem ouvir que está tudo bem. E depois, ele disse-me que sentia saudades minhas. E eu disse-lhe que tinha saudades dele também.

- E isso levou a alguma coisa ou não? Vocês estão separados… voltaram a namorar ou quê? – perguntou Sam, comendo mais uma colherada dos seus cereais.

- Eu perguntei-lhe se tinha outra pessoa, ao que ele me respondeu que não. E eu disse-lhe que estava disposta a ir ter com ele, a tentarmos ver se as coisas resultariam, longe daqui.

- E? Vá lá, estás a contar tudo muito devagar e temos ambos de ir trabalhar.

- E ele disse que sim. Portanto, oficialmente estamos de novo juntos e vou começar a tratar de tudo para poder ir embora – disse Dana, suspirando. – É a decisão que tomei. Terei de falar com o meu patrão e despedir-me. Terei de falar com o senhorio e dizer que vou sair daqui. Há coisas a tratar e não quero demorar mais tempo do que o necessário.

- O Edison sabe disto?

- Ele aconselhou-me, portanto sabe que eu estava em dúvida sobre o que havia de fazer, mas não, não sabe que eu falei com o Charles, portanto vou contar-lhe mais tarde. Achas que faço mal?

- Acho que se gostas do Charles e decidiste estar com ele, muito bem. Deves fazer o que te faz feliz – respondeu Sam, com um aceno de cabeça.

Dana sorriu-lhe. A decisão estava tomada. Esperava que não viesse a arrepender-se. Não tinha dúvidas do que sentia por Charles, caso contrário nem sequer tentaria ir embora da cidade, mas tinha receio de não se adaptar na nova cidade, de não encontrar um emprego, de ela e Charles não funcionarem bem a viver juntos, visto que nunca o tinham feito. Mas apesar de tudo, tinha esperança de que tudo corresse pelo melhor. Tinha de acreditar que assim seria.

Doce Tentação

Remington estava já a trabalhar e a pastelaria até estava movimentada, apesar de nesse dia todos os trabalhadores estarem ali. Vick andava de roda das mesas, com a ajuda de Will. Rachel e Remington estavam ao balcão, enquanto Tom, Elli e Edison se ocupavam na cozinha. Depois de servir um café a um cliente, o telemóvel de Remington começou a tocar. Era raro receber chamadas no horário de trabalho. Tirou o telemóvel do bolso e viu que era Mirelle a ligar-lhe. Franziu o sobrolho.

- Rachel, desculpa, preciso de atender a chamada – disse Remington. A patroa acenou com a cabeça e ele afastou-se, para um canto. Atendeu. – Mirelle, o que é que se passa?

- O que se passa é que recebi agora uma chamada do nosso filho, a chorar, porque voltaram a gozar com ele na escola – disse Mirelle, aborrecida. – Voltaram ao mesmo, Remington.

- O diretor disse-me que iria falar com os pais dos alunos.

- Tenha falado ou não, não resultou. O Evan queria vir para casa, claro, mas consegui acalmá-lo. Vai ficar na escola, mas houve o que te digo, depois de sair do trabalho, quando o for buscar, aquele diretor vai ouvir-me – disse Mirelle. – Eu pensava que tu irias tratar das coisas, mas como sempre deves ter sido demasiado bonzinho e portanto não te levaram a sério.

- Isso é injusto, Mirelle.

- O que é injusto é o nosso filho estar a sofrer, a ser gozado, devido ao teu estilo de vida. Mas eu vou resolver a situação, como tenho de fazer sempre.

Mirelle desligou a chamada abruptamente. Remington ficou a olhar para o telemóvel. Depois, pesquisou rapidamente na internet o número da escola e ligou. Exigiu falar com o diretor e ainda que lhe tentassem dizer que ele estava muito ocupado, não saiu de linha. Rachel lançou-lhe olhares inquisidores, mas manteve-se à distância. Por fim, o diretor atendeu e Remington falou com ele de forma fria.

- O meu filho foi gozado na escola outra vez, pelos mesmos rapazes. Você falou com os pais deles?

- Conforme é política da escola, claro que tentámos resolver o problema. Enviámos notas escritas para os pais dos três alunos.

- Notas escritas? – perguntou Remington, ficando possesso. – Você só pode estar a brincar. Depois da conversa que tive consigo, é só isto que fez? Devia ter falado pessoalmente com os pais e com as crianças. Devia ter resolvido a situação.

- Nós seguimos os protocolos que…

- Não quero saber de protocolos, quero que o problema do meu filho seja resolvido! Vocês têm obrigação de o proteger, enquanto está ao vosso cuidado e não é isso que estão a fazer.

- Não admito que que ponha em causa a seriedade da escola. Fazemos sempre o nosso melhor, em qualquer situação. Se quiser vir falar comigo pessoalmente, então poderemos marcar uma reunião, mas não me parece que esta chamada seja nada produtiva e tenho muito que fazer.

O diretor disse mais algumas palavras e desligou a chamada. Remington ficou ainda mais aborrecido. Decidiu que teria de ir à escola novamente. Ele e Mirelle tinham de falar com o diretor. Pediu desculpa a Rachel e perguntou se podia tirar o seu intervalo mais cedo. Ela indicou que sim. Remington foi para o beco atrás da pastelaria e escolheu o telefone de Fletcher de entre a lista de contatos. Quando ele atendeu, falou-lhe do que acontecera.

- Então, agora queres ir à escola falar com o diretor novamente? – perguntou Fletcher. – Achas que isso vai mesmo fazer alguma diferença?

- Tem de fazer.

- Pois, isso foi o que disseste da última vez e vê o que aconteceu – disse Fletcher, suspirando.

- Tenho de fazer alguma coisa para proteger o Evan. Portanto, devo chegar a casa mais tarde. Espero que desta vez a conversa seja produtiva. Ou não, considerando que a Mirelle também vai estar presente e ela vai perder a cabeça, de certeza.

Flecther acenou com a cabeça, apesar de do outro lado da linha Remington não o conseguir ver. Quando o marido desligou a chamada, Fletcher decidiu que naquele final de tarde também ele iria à escola. Porque por vezes Remington era demasiado bonzinho e Mirelle era demasiado intempestiva. E apesar de poder facilmente não se envolver no assunto, visto que Evan não era seu filho, tendo já sofrido devido a bullying, Fletcher não podia ignorar a situação.

Continua…

Enquanto Will decidiu tentar seguir em frente, Edison e Sam ficaram mais próximos do que antes. No próximo capítulo, acontecerá a reportagem sobre a pastelaria e na escola de Evan, a confusão irá reinar.